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Sociologia Independente
 


Trabalho no Brasil: questão de Saúde Pública

 

Uma pesquisa divulgada pela Folha de São Paulo em seu site há menos de um mês, conclui que 8 em 10 brasileiros intencionam mudar de emprego. Conforme o estudo e a edição enviesada da reportagem, isso vem sendo motivado pela expansão da economia com o seu consequente aumento da oferta de empregos.

 

Quando 80% dos trabalhadores desejam largar seus empregos, isso não pode ser porque atualmente existe uma tremenda chance de conseguir melhores oportunidades. Essa relação é incoerente quando se trata do mercado de trabalho referente a um país.

 

Se essas mágicas oportunidades existissem em abundância, para aguçar as ambições da grande parte de uma nação, os correntes postos de trabalho não poderiam ser tão insatisfatórios e geradores de tanto descontento.

 

Onde estão essas oportunidades? Seriam muitíssimas portanto, obviamente não suficientes para atender toda a demanda, e estariam presentes dentro do próprio ambiente de trabalho. Não estamos falando de propostas oferecidas em outros países.

 

Contagiosamente, essas chances encantadoras vivenciadas dentro das próprias organizações forçariam ou influenciariam o melhoramento das atividades já existentes. Isso evitaria que houvesse tanta vontade de mudar de colocação.

 

O brasileiro hoje em sua maioria deseja mudar de emprego porque percebe de alguma forma que o seu trabalho é muito pouco valorizado e sofre com essa frustração.

 

A expansão da economia brasileira não serve para beneficiar a qualidade de vida da maior parte dos brasileiros. Essa maior parte de brasileiros é que serve para alimentar a demanda dirigida por uma quantidade muito menor de pessoas que concentra riquezas dentro e fora do Brasil.

 

Aumento de consumo não necessariamente está colado ao aumento de renda e valorização do trabalho. Daí que uma ferramenta para fazer a produção girar é a concessão de crédito extendida às diversas camadas. O pobre pode ter uma geladeira e pagá-la em pelo menos dois anos. Outro pode ter um carro quitado em 6 anos. O valor final do produto acrescido dos juros revela que os consumidores pagam por dois mas levam apenas um, além de terem seus produtos depreciados com o considerável tempo.

 

Portanto o trabalho do brasileiro vale pouco, trabalha-se mais para adquirir metade. A decisão para comprar um bem é muitas vezes feita na capacidade de honrar uma mensalidade, menos importando quantas elas sejam. É uma ilusão, uma propaganda política, dizer que o poder aquisitivo do brasileiro tem aumentado.

 

Um comparativo serve para mostrar a relação valor de trabalho e qualidade de vida. Na Nova Zelândia, país com baixo índice de corrupção e com alto índice de desenvolvimento humano, um casal formado por exemplo, por um faxineiro e uma garçonete, que recebem cada um salário mínimo, consegue pagar aluguel de um apartamento de um quarto num bairro bom e central próximo de seus empregos. O mesmo casal morando na cidade de São Paulo muito provavelmente tenha que morar num barraco e numa favela e perder horas por dia para chegar ao serviço.

 

Enquanto no Brasil não forem criadas leis que efetivamente forcem a distribuição de renda e de propriedade, a grande massa trabalhadora continuará sendo desvalorizada.

 

Numa sociedade voltada para o trabalho, não é difícil entender o porque de muitas  frustrações e angústias (e que estão nas bases de muitas doenças). O baixo valor dado ao trabalho no Brasil é sem dúvida questão de sáude pública.

 

 

(Procurem pelo google a matéria da Folha chamada “8 em 10 pessoas consideram mudar de emprego em 2011”).

 

 

 

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Escrito por farelomartinez às 06h10
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