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Sociologia Independente
 


Casos de corrupção

“Não há mais medo, o corrupto hoje em dia anda com testa alta, olhado com inveja” – Arnaldo Jabor

 

 

Caso 1: Eu já subornei um policial rodoviário.

 

Fazia uma viagem de São Paulo para Trindade, no sul do Rio de Janeiro. Minha namorada portava maconha em sua bolsa.

 

Quando adentramos o Estado fluminense pela Rio-Santos fomos parados por um policial que tinha sua viatura no acostamento. Ele anunciou que a policia rodoviária federal fazia uma varredura em busca de drogas e armas.

 

Meu carro era uma Paraty e a prancha de surfe estava amarrada em seu teto. Nossas bagagens no porta-malas.

 

O policial começou pela parte interna do veículo, ou seja, pelos nossos bancos, porta-luvas e console. Alcançou a bolsa de minha garota e quando tirou de dentro dela uma latinha azul com a imagem de Nossa Senhora, eu imaginei “agora ferrou”. O astuto sabia que havia farejado algo ilícito.

 

Bingo! Uma ponta de baseado. Eu fiquei gelado e ela boquiaberta.

 

“O que é isso?” esbravejou a autoridade. Não sei, eu respondi. “Isso é maconha!” ele completou.

 

“Isso é tráfico de drogas!”, ele nos apavorou.

 

Ao guarda ela foi com aquela desculpa esfarrapada de que a bolsa era de uma amiga. Ele me conduziu à sua viatura e pediu que a garota tomasse o volante de meu carro para que fôssemos à delegacia.

 

Porém, ainda parados no acostamento, ele começou com um sermão que me direcionava a suborná-lo. Eu me fiz de bobo, disse que não sabia que aquilo era maconha e ainda que aquela garota era uma aventura recentíssima e desconhecida portanto.

 

“Se formos adiante o delegado vai prendê-los por tráfico”. O que era um absurdo, aquilo não pesava nada, era metade do meu polegar.

 

Meio intimidado e amedrontado, não queria ser fichado e nem que ela fosse, eu ofereci “a gente pode acertar isso por aqui?”.

 

O policial foi direto “quanto você tem?”. Eu dei 80 reais a ele (isso foi em 2000), a grana que salvaria nossa hospedagem.

 

Fomos liberados e eu fiquei bem bravo com minha namorada porque o vício era dela e dar dinheiro a um policial me enojava.

 

Chamou-me atenção a abordagem policial na época. O agente disse que a ação visava encontrar drogas e armas. Ele sequer abriu o porta-malas para buscar maiores provas (mais drogas e armas) – ele suspendeu a revista assim que encontrou qualquer coisa suficiente para nos extorquir. Fiquei sabendo depois que outros surfistas foram extorquidos no mesmo ponto da rodovia. Parece-me que o policial era habituado a forçar situações para receber propinas.

 

 

Caso 2: Eu comprei em parte a minha carteira de motorista.

 

No começo do ano fui a uma auto-escola na Lapa para renovar minha habilitação. À recepcionista disse que havia sido indicado por um policial amigo do delegado Dr. Fulano.

 

O delegado era um dos proprietários da auto-escola pelo que me foi dito. Não posso afirmar que o seu sócio era apenas o laranja.

 

Paguei 50 reais para ficar de frente ao computador fingindo mexer no mouse. Na verdade, a recepcionista, da sua mesa, operava o mouse e respondia todas as questões por mim.

 

Eu precisava da carteira com urgência e portanto aceitei a indicação de um amigo sobre a facilidade.

 

 

Caso 3: Delegados corruptos (fonte Folha.com – 22/11/2010).

 

A promotoria denunciou 22 sob acusação de fraudes no Detran de São Paulo. Destes, 9 são delegados da Polícia Civil. Os outros 13 ligados a empresas de emplacamento.

 

O rombo aos cofres públicos nos últimos anos pode chegar aos 30 milhões de reais por causa dos contratos fraudolentos com empresas responsáveis por emplacamentos.

 

“A investigação apontou que, somente em julho, agosto e setembro de 2009, a Cordeiro Lopes, empresas que fazia o serviço de emplacamento em todos os municípios de São Paulo (menos na capital), cobrou R$ 16.338.744,39 por serviços prestados, mas, na verdade, o Estado deveria ter pago R$ 6.565.912,46 --diferença de R$ 9.772.831,93”.

 

 

 

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Escrito por farelomartinez às 03h11
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