Morte sem verbo
O nada claro no quarto do sábado fúnebre. Braços paralelos pesados com doloridas chagas e o nariz para o teto, cinza o teto. Na cama o lado esquerdo, o direito vazio. Os maus sonhos, os olhos abertos. Mulher no carpete azul, camiseta velha e só. Longas pernas nuas, cabelos castanhos encaracolados, rosto salpicado laranja, lábios rosados, o relevo dos seios na camiseta velha, na camiseta velha e só. Tempo igual, tempo parado, porta fechada, oxigênio minguante. Morte esperada para uma vida morta e a mulher, a mulher no chão. Sem perfume, brilho, flores, luzes. Sem passos, caminho, nuvens. Sem temperaturas, sem ancestrais e sem música. Os olhos acesos da mulher, o carpete abandonado e o lado direito da cama, o lado direito da cama ocupado. Maus sonhos acabados com os olhos cerrados. E os cabelos rebeldes repousados no há muito peito calado. 4652
Escrito por farelomartinez às 03h11
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