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Sociologia Independente
 


Absorvendo pancada

“Você e o seu oponente são um só. Há uma relação de coexistência entre vocês. Você coexiste com seu oponente e torna-se complemento dele, absorvendo-lhe os ataques e usando a força dele para vencê-lo” -  Bruce Lee

 

A porta do banheiro segurei gentilmente para um aluno entrar antes de mim. O garoto não agradeceu, nem sequer olhou na minha cara. Conheci professor arrogante e cretino e também outro desonesto que fugia das aulas passando suas turmas para os mestrandos. Na USP aprendi que sociólogo pode ser egoísta, capitalista, social-democrata, hipócrita, maldoso.

Não sou como essa gente e por isso falo no blog o que penso e ninguém o acessa por obrigação. Nenhuma instituição castra minha imaginação e os leitores de Sociologia Independente são convidados a se expressar como quiserem.

Isto não é um diário. Nem tudo que escrevo realmente vi acontecer. Encontro ainda disfaces em terceiras pessoas. Eu quero provocar você enquanto satisfaço esse vício de pegar a caneta e rasgar palavras no papel ouvindo rock and roll. Alterno contos, poesias e críticas de assuntos cotidianos para voltar sempre ao tema “exploração no trabalho”. Sei que essa é a principal missão minha como escritor nessa página.

Passei um bom tempo na margem distanciando-me bastante das relações de trabalho, vivi outros bons anos em algumas empresas no Brasil. Hoje, na Nova Zelândia, estou numa das melhores companhias que instala painéis em edifícios de grande porte. E com os joelhos na borda do décimo-nono andar discuto planos de recursos humanos com meu irmão Pepê, quando as ferramentas barulhentas se calam. E uma das pautas foi outro dia: seja muito bom naquilo que faz e aprenda a absorver as pancadas para poder bater em boa proporção.

Atuar no front da construção civil é um grande laboratório, são tantas as agressões contra o corpo, cortes, pancadas, torções, queimaduras, que uma hora o fortalecimento chega. Em certo instante a martelada no dedo provoca até riso e alguns cortes são comparados por beleza.

Algo me remete aos tempos do Kung-Fu de Bruce Lee: a maturidade de um homem aparece quando ele aprende a lutar com frieza, pouco alterando os batimentos cardíacos, serenamente mantendo a boa respiração. Difícil apanhar lutando com calma, não é preciso gritar para a voz sair como um trovão.

Alie confiança e capacidade de absorção de impacto à refinada precisão técnica que os seus superiores hierárquicos não poderão ameaça-lo. Ao contrário do que dizem, pessoas boas não são substituídas facilmente.

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Escrito por farelomartinez às 08h25
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