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Sociologia Independente
 


Desmoronando

 

Sobre a tragédia ocorrida em Angra dos Reis e em Ilha Grande logo na virada do ano a imprensa vem transmitindo o esforço da Defesa Civil, do Corpo de Bombeiros e de outros órgãos governamentais associado ao de voluntários populares.

 

Mais de 40 mortes confirmadas até este momento, 3 de janeiro, domingo. Os populares das cidades afetadas se comovem, algum restante da massa brasileira se sensibiliza quando acompanha os telejornais. Meu vizinho da casa da frente toma cerveja no muro enquanto ouve (e nos força a ouvir) um pagode que sai do Palio velho com as 5 portas arreganhadas. Daqui a pouco ele vai assistir ao Jornal Nacional arrotando cerveja e não sei com quais adjetivos se expressará vendo aquela pousada soterrada.

 

(Meu mau humor faz com que eu o julgue um ignorante. Sociólogo também tem preconceitos mas muitas vezes acerta).

 

É hora de festa, é ano novo, porra! (é assim que muitos falam)

 

Não dá para culpar ninguém! (é assim que muitos pensam)

 

Vamos culpar a enorme quantidade de água que caiu do céu em poucas horas. A culpa não pode ser do governo e nem de ninguém. Foi muita chuva, isso é um desastre natural que não há como controlar. Vamos consertar, não é o momento para julgar e encontrar os responsáveis.

 

Errado.

 

Sofremos com um problema histórico de má utilização do nosso território. Temos o problema da concentração de terra que empurra os mais pobres para viverem nas áreas de risco. Temos o problema da falta (pela ineficiência e corrupção) de fiscalização que deveria impedir tais ocupações e temos ainda o problema do mau planejamento urbano.

 

Cidades continuam crescendo sobre a degradação da natureza. Teremos novos deslizamentos, novas enchentes, novos problemas com poluição e outros insolúveis de congestionamento de veículos. Alguns exemplos: Primeiro, o rio Tietê em São Paulo parece um córrego gigantesco com as margens em concreto. Coisa feia. Continua transbordando e as enchentes fazem parte do cotidiano. Choveu, encheu. Segundo, quando percorro a periferia de Itanhaém percebo larguras diferentes das ruas, num quarteirão calçadas com mais de um metro, no quarteirão seguinte com somente meio metro. Pedestres não andam pelas calçadas. As árvores são arrancadas e os quintais das casas geminadas são cobertos por cerâmica ou cimento apenas. O ar é abafado nessas ruas e a paisagem é amarelada e seca. Terceiro, o povo (rico e pobre) joga lixo no chão, desde a bituca de cigarro, garrafas plásticas e entulhos de material de construção a restos domésticos. E mais um, ainda existe a hora do rush em São Paulo? Quando dirijo nessa cidade me parece que qualquer hora é hora do rush.

 

O mau planejamento urbano também contribui para a violência porque joga na cara do pobre o nosso problema de distribuição de renda e de desigualdade social. Gera raiva, rancor, humilhação. Alimenta o sentimento de injustiça e de exclusão.

 

Somos uma potência com a grande parte da população pobre que vai crescendo desse jeito desorganizado e com pouca efetividade na punição dos culpados.

 

Haja solidariedade...

 

 

 

5470

 

 



Escrito por farelomartinez às 22h55
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Me fala amigo (como ela afeta meu coração)

 

Tem um anjo do outro lado da mesa

Ouvimos música, está quente, estou suado

Lá longe um cachorro late

Tarde, ainda não vejo estrelas

E a porta da cozinha está trancada

 

Tem um anjo olhando para mim

O que você quer amigo

Me deixa sentir que estou certo

Me deixa acreditar no amor

E fala que não estou sonhando e nem iludido

 

O que eu sinto

Tipo de veneno

Que me pára às vezes

E que me faz ver você, amigo

Que besteira, hem!

 

Por que preciso outra metade

Não posso me completar

Sou um egoísta de qualquer jeito

Preciso que ela me livre

Do medo de ficar sozinho

 

Não sou um estúpido independente

Tenho que partilhar minha loucura

E ela tem que ser capaz

De me abraçar

E parar esse caminhão sem freio

 

Pega uma cerveja, amigo

Ela está dormindo agora

Mas virá logo mais

Pode me falar

Como ela afeta meu coração

 

 

 

5452

 

 



Escrito por farelomartinez às 19h02
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Tell me friend (how she can affect my heart)

 

There´s angel in the opposite side of the table

Listening to music, it´s very hot, i´m sweated

Far away a dog barking

Afternoon, can´t see the stars yet

And kitchen door is locked

 

There´s an angel looking at me

What do you want friend

Let me feel am doing everything ok

Let me believe love exists

Tell me am not dreaming or deluded

 

What means this sensation

Kind of poison

Which paralizes me sometimes

That makes me see you are there friend

Dumb huh

 

Why do I need another piece

Can not be complete just by myself

Feel so selfish anyway

Need her to save me

From my fear of  being alone

 

Not stupid independent I am

Have to share my madness

And she has to be able

To hold me

To stop this uncontrolled truck

 

Have a beer friend

She is sleeping now

And will join us later

You can tell me

How she can affect my heart

 

 

5451

 

 



Escrito por farelomartinez às 18h30
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Mulher e solidariedade

 

Espero que não seja só um momento de esperança. Otimismo. O que uma mulher pode fazer com a minha vida. Quando não olho para o céu estrelado a procurando vejo outros brilhos abaixo do nariz.

 

O que as mulheres podem fazer.

 

Duas semanas atrás participei de uma festa natalina realizada pela Organização Seara Espírita Reluz. Há pelo menos sete anos voluntariamente freqüentadores da Seara se organizam para distribuir presentes a crianças carentes. No primeiro ano 30 foram beneficiadas e nessa última edição cerca de 450.

 

A preparação do evento é iniciada com meses de antecedência e parte de uma lógica simples: a nomeação de crianças carentes de diversos bairros de Itanhaém, litoral sul de São Paulo, para o encontro (não necessariamente) do mesmo número de doadores de presentes. São convidadas pessoas que em geral fazem parte do círculo familiar ou de amizade dos freqüentadores da Seara para fornecerem roupas, brinquedos e calçados. Cada uma delas recebe um cartão com o nome, a idade e o tamanho de calçado e numeração de roupa de uma criança para apadrinhar.

 

A lógica é simples. Mas o trabalho é exaustivo embora a satisfação seja imensurável, tanto para as crianças como para os voluntários e os doadores que acompanham a festa de perto.

 

Não existem apelos religiosos durante o evento. Crianças e convidados não assistem a evangelho e nem sequer são estimulados a fazer preces.

 

Não há circulação de dinheiro também. Além dos presentes são arrecadados alimentos e refrigerantes que são distribuídos gratuitamente para as crianças e seus acompanhantes e para os voluntários. Enquanto aguardam ser chamadas, as crianças se divertem nos pula-pulas fornecidos por um parque de diversões.

 

A rua é interditada para abrigar com segurança os cerca de 800 presentes e conta com o apoio de policiais da Guarda Civil Metropolitana. Uma viatura do Corpo de Bombeiros é responsável por trazer voluntários vestidos de Papai Noel e sua chegada é um dos pontos mais comemorados da festa.

 

Essa rede solidária é organizada fundamentalmente por mulheres que esperam para o próximo ano superar o número de crianças atendidas.

 

Tenho grande confiança de que mulheres alcançando cada vez mais espaços de liderança tanto em esfera pública como em privada tornará as sociedades mais solidárias e harmoniosas.

 

 

5395

 

 



Escrito por farelomartinez às 17h03
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:)

You ask me why I like you

Mission Bay is boring without you I say

Strawberries are not tasty without your lips

Hundreds of stones can be polished and nothing is compared to your eyes

Sunflower envies your beauty

 

While you drive I´m a boy fascinated by an ice cream

When you fall sleep beside me I don´t need lullaby

 

You can drop me like a rubbish bag

If you kiss me before it´s all right

 

I want more 200 chapters with you

My funny fingers need your hands

I know what your stomach says

And learnt to take your shoes off

We both win playing scissors, paper and rock

Our breaths are good friends

 

Will be morning in New Zealand

I will be seeing you among the stars in Brazil

 

 

 

 

5384



Escrito por farelomartinez às 23h01
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Talvez voltando ao Brasil

Na Nova Zelândia a taxa de desemprego é de 6,5%, as ruas arborizadas não têm papéis como flores. Poucos são os homicídios, muitos os suicídios – a monotonia da beleza enlouquece. Aqui não se vê pessoas miseráveis, esqueléticas, sujas, maltrapilhas, doentes, famintas, dementes vagando pelas ruas. Sempre foi muito triste ver pessoas assim perambulando pela minha cidade natal São Paulo.

 

A dificuldade do idioma me fez um ogro vezes e vezes. Não é engraçado ser chamado de inútil por não entender uma simples ordem de varrer o chão. A incompreensão me assustou. Não é confortável ter familiar apontando qualquer fraqueza e fracasso. E o silêncio de alguns amigos é um tiro na minha egoísta carência. Mas eu peço perdão aos familiares e amigos pela minha arrogância, comumente me fecho numa concha e não apareço para participar de suas vidas.

 

É preciso tempo para aprender a empregar força sem ser agressivo, para saber brigar sem alterar a pressão sangüínea. Ser frio sem perder a sensibilidade, entender rejeições e continuar esperançoso com o amor.

 

Meu cordão umbilical com o Brasil. Sinto nossa pobreza. Tenho a bandeira brasileira tatuada no braço, não digam que não sou patriota.

 

Só que um ano e meio fora do país é pouco para querer retornar. Falo melhor inglês e uma neozelandesa que conheço pode ser uma bóia no oceano ou pode ser um porto seguro. Algumas mulheres tiram meus pés do chão e eu nunca vou aprender os riscos que isso implica. As paixões me iludem, não tem jeito, eu transformo mulheres que gosto em heroínas. E mulheres que gostam de mim me assustam.

 

Eu não tenho medo de mudar minha opinião, minha direção. O que é previsível é minha imprevisibilidade. Alguns já me acharam pouco confiável, alguns não sabem quando sou sarcástico ou quando sou reto. Tenho uma passagem aérea marcada para o Brasil e posso desmarcá-la em breve dependendo se amanhã fará sol ou chuva. Sou imprudente com o futuro, não acho.

 

Perspectiva sobre o Brasil, perguntou-me meu primo Milton Bellintani. Nosso país poderia ser diferente, mais justo, mais organizado. Menos violento, corrupto, poluído, degradado, surrupiado. Como é a Nova Zelândia. Precisamos ser um povo mais consciente, inteligente, menos fascinado pelas porcarias enlatadas vendidas pela mídia que nos mantêm amansados. Precisamos aprender a dizer não, precisamos coragem nas ações dos dia-a-dia. Um exemplo, se o seu patrão não lhe paga horas-extras, processe-o. Eu ganhei nos tribunais contra a Nestlé uma luta que levou mais de sete anos. Você come um gostoso chocolate e não imagina que muitos trabalhadores sofreram no processo para a sua doce degustação, que alguns enlouqueceram, que alguns se viciaram em tarjas pretas. E a mídia diz que são apenas efeitos comuns das pressões sociais dos ambientes cada vez mais competitivos, que é normal ficar doente, estressado. Ou seja, trabalhe como um escravo, aguente o injusto salário e finja que tudo está bem trancado no seu carro, no congestionamento de horas, ouvindo música alta e escondendo sua forçada alegria sob os vidros filmados (e com medo de ser assaltado).

 

Diga não aos políticos sujos que carregam processos em suas costas, consulte jornais antes das eleições. Relembrará quais são os imprestáveis. Sobre mídia, assista menos televisão, tenha ciência para saber que um programa CQC também é uma besteira, que eles não o libertarão de nada, que são preconceituosos mimados filhinhos de papai brincando com seus estilingues. Não ria como um otário de um Casseta & Planeta que não passa de um Vídeo Show pornochanchada divulgando de forma diferente a programação Global. E se você acompanha Pânico, meus pêsames. Assista ao Provocações, ao Café Filosófico, ao Entrelinhas e os ache umas chatices de vez em quando. Porque eles são maçantes e muitos intelectuais não sabem se expressar para a maioria mas não são superficiais e fazem bem à inteligência. Os canais abertos por aqui também passam programas cretinos, porém uma Sky é bem acessível e a opção por atrações melhores aumenta.

 

Até o próximo texto, caros leitores, que talvez será feito em terras brasileiras.

 

 

5287

 

 



Escrito por farelomartinez às 06h43
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Nota de falecimento

O filho está na escola brincando porque é o recreio. Na lancheira pão com manteiga, queijo e presunto, uma barra de chocolate, uma garrafinha com leite achocolatado. As crianças correndo, uma bola passando, seus gritos indefinidos abafam qualquer tristeza individual.

 

A mãe na cozinha preparando o almoço, uma faca afiada, batatas, cebolas, cabeças de alho. Rádio e música. Seu silêncio, uma panela com água fervente. A televisão muda.

 

11 da manhã, o pai está estatelado e morto porque caiu do segundo andar da obra.

 

Ninguém viu, ningúem sabe como foi. É fato que não usava equipamentos adequados de segurança e falo que nenhum inspetor da construtora passara antes para adverti-lo sobre qualquer procedimento arriscado. Não puderam ressuscitar o homem que ninguém sabia o nome. Puseram um lençol para esconder a cabeça quebrada do homem que ninguém sabia se tinha família. Ninguém o conhecia, nem a construtora o identificava. Apenas souberam que ele era um soldador.

 

Uma nota da imprensa disse que ele tinha 50 anos. O porta-voz da construtora disse que lamenta a tragédia do anônimo.

 

Alguns amigos do Brasil sabem agora que trabalhador pobre morre na Nova Zelândia enquanto executivos de uma importante construtora do país chamada Hawkins de seus camarotes do outro lado da rua com ar-condicionado e poltronas macias observam outros operários sujeitos ao mesmo destino.

 

Espero que sua família de alguma maneira encontre conforto e que sua alma repouse em paz.

 

 

5176



Escrito por farelomartinez às 02h22
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Mulheres, sonhos e ondas

 

Minhas noites boas de sono não são comuns. Minhas noites de sono inesquecíveis são raras. Eu sei que tive uma na Nova Zelândia mas não lembro quando foi, não sei em que cama ou casa aconteceu. Uma sensação neste instante em que escrevo me diz que ela aconteceu. O que a faz inesquecível. Tive uma outra em Florianópolis que foi em janeiro de 2000 e sei que foi no Rio Vermelho na primeira noite daquela temporada. Tive também em São Paulo ao lado da mulher que fazia minhas pernas tremerem.

 

Noite de sono inesquecível é um jato sem interrupção, sem sonho lembrado, terminada sem passarinhos ou luz do sol pelas frestas mas pela alma que emerge até o corpo ausente de qualquer dor ou memória.

 

(...)

 

Estive ao lado de uma namorada sentado num gramado da USP e naquela noite em que ela me fez matar aula de Teoria Política eu tive a sensação de que ficaríamos conversando por uma eternidade. O tempo ali parou, não pensava em desejar mais nada da vida naquele hiato.

 

Estive ao lado de uma neozelandesa sentado num banco da praia de Mission Bay e naquela tarde ela me fez chegar na hora certa da aula de inglês e eu tive a sensação de que ficaríamos conversando por uma eternidade. O tempo ali parou, não pensava em desejar mais nada da vida naquele hiato.

 

(...)

 

Eu já sonhei que estava surfando. Num dos sonhos lembro que eu percebia a temperatura da água protetora e aconchegante como se eu ainda não tivesse sido gerado e repousasse no ventre materno. Ondas longas e as manobras feitas num silêncio e numa solidão eram perfeitas.

 

Eu já surfei que estava sonhando. Num dos mares lembro que eu percebia a temperatura da água protetora e aconchegante como se eu ainda não tivesse certeza de estar acordado. Ondas que não lembro direito me deixaram na memória o cheiro da camisa de lycra e o sorriso e a gratidão por não estar sonhando.

 

 

5124

 



Escrito por farelomartinez às 21h20
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Chávez, Michael Jackson e futebol

Hugo Chávez chega a ser engraçado. Chamou em seu programa de rádio o Ministro da Defesa da Colômbia de retardado mental. Gabriel Silva considera ineficaz a postura da Venezuela sobre o combate ao narcotráfico. Com linguagem popular e sem pompa, Chávez em outras oportunidades ligou o ex-presidente Bush ao capeta. Nada polido mas coerente.

 

A Colômbia permite aos Estados Unidos a presença de tropas militares em seu território, o que para Chávez (e para mim também) é uma afronta à soberania dos Estados sul-americanos. A ONU aponta que 40%  da cocaína colombiana que entra na Europa passa por terras venezuelanas. E aí, confiamos na imparcialidade de um relatório feito por uma organização que é aliada a diversos interesses ianques?

 

Chávez não é um bom exemplo para o ideal de democracia norte-americano.

 

(Fonte: Folhaonline – 25/10/2009)

 

(...)

 

Eu tenho dúvidas sobre a morte de Michael Jackson. Eu não sei se um homem negro consegue virar branco então vejo a possibilidade do astro ter morrido há muitos anos. Aquele branquelo que vinha dançando não era o Michael de Thriller. Era outro cara.

 

Para quê caixão lacrado e sepultamento não televisionado?

 

“Mataram” ele aos cinquenta anos de idade e na mesma semana lançaram um álbum!

 

Acreditar em Michael Jackson é acreditar que o homem pisou na lua.

 

(...)

 

 

Futebol.

 

Este será o Brasileirão por pontos corridos onde o campeão terá a menor soma. Isso se justifica pelo maior equilíbrio entre as equipes. A sete rodadas do final cinco ou seis clubes têm chances reais, outros ainda matemáticas.

 

O São Paulo que detém o título está louco para entregá-lo ao Palmeiras. Quando pôde passá-lo vacilou. Mas o alvi-verde quando teria que se distanciar mostrou que não tem elenco suficiente que aguente até o término da temporada.

 

Goiás pifou, normal. O Inter de Porto Alegre é forte e ameaça, tem um confronto direto com o São Paulo no Morumbi. Parada dura para os gaúchos. Atlético mineiro, como disse um amigo meu, é um Botafogo do Rio. Será mesmo que é só isso? E o Flamengo ascendendo vê os outros cariocas indo para a segundona. Vergonha para o Rio.

 

Futebol é traço saliente na nossa cultura reconhecido em qualquer canto do mundo. Insensatos aqueles que dizem que o povo é idiota porque valoriza tanto esse esporte, que somos atrasados quando festejamos, que o futebol entorpece e nos mantém alienados. Besteira.

 

5074

 



Escrito por farelomartinez às 21h44
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Desemprego

Você é um dos novos desempregados da crise financeira global? Bem-vindo ao clube!

E aí, enquanto trabalhava tinha algum poder nas mãos? Mandava? Ameaçava os subordinados? E agora o fantasma do desemprego dorme ao seu lado...

Há!Há!Há!

 

Rápido! Seus filhos podem chorar de fome!

E o aluguel vai vencer! E o carnê das Casas Bahia também!

Deus! O oficial de justiça vai buscar o seu Astra 2008!

Há!Há!Há!

 

Socorro, Obama! Socorro!

 

Sua mulher vai te largar e você beber cada vez mais. Seus amigos o estranharão e as fofocas aumentarão.

O cara fracassou, coitado!

E não tem saída. Você não vê saída.

 

Ganhava 4000. Agora 1200. Hunf!

E sua filha só tem 12 anos. Ainda é cedo para um bom casamento.

A magreza, a barba, os cabelos caindo e o restante ficando branco, as olheiras, as solas furando. O gerente do banco não te atende mais.

 

Acabou o CK One? Não!!!

Mãe, posso voltar pra casa?

Há!Há!Há!

 

Por quê, Deus? Por quê?

E você nunca vai revelar que pensou em suicídio.

 

 

 

5004



Escrito por farelomartinez às 21h53
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Acesso 5000 - seleção de textos

Os 15 textos mais comentados desde março de 2007. Para vê-los clique no quadro à esquerda no período equivalente.

 

 

Cartas de Amor – 31/03/2007

 

Nobres Mendigos – 26/06/2007

 

Chocolate amargo – 19/07/2007

 

Duda – 17/08/2007

 

Vagão – 10/09/2007

 

Suzana – 26/09/2007

 

Mosca – 08/11/2007

 

O sonho de Valadão – 10/12/2007

 

Outside – 11/03/2008

 

Um sociólogo no andaime – 23/06/2008

 

Ponto final – 09/08/2008

 

Martelada – 23-08-2008

 

O selador – 22/05/09

 

O tratamento – 08/07/2009

 

O que você fez – 16/08/2009



Escrito por farelomartinez às 21h50
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Não quero pensar

 

Pensar diferente

Quero pensar sem política, sociologia, meio-ambiente, mundo, Brasil, sociedade

Família, violência, amor, carência

Pensar sem música, quero pensar sem rock

Quero pensar sem letras e palavras

Pensar sem escrever

 

Quero pensar sem Deus, ou sem deus

Não quero pensar na mulher que salvará minhas angústias

Não quero pensar em salvação

 

Não quero pensar em trabalho,

Em dinheiro, contas, carreira

 

Não quero pensar em futuro

Não quero lembrar o passado

Não quero comparar

 

Não quero pensar em ondas

Nem quero pensar na morte

E nem na vida

 

Não quero poesia

Não quero ser escritor

 

Não quero protestar

Não quero me preocupar

Não quero defender ninguém

 

Não quero a justiça

Nem a igualdade

 

Deixa eu pensar que é possível não ter sentimento

 

Deixa eu pensar que eu não estou vivo

E que vocês não existem

 

Não sou frio e nem quente

Feliz ou infeliz

Brilhante ou opaco

 

Eu não quero pensar

Não quero perceber as coisas

Não quero esperar nada

Não quero saber quem é você

 

Eu não sei quem eu sou

Você não sabe quem eu sou

E você pensa que você sabe quem é

 

Não há mudança

Política, sociologia, amor, violência

Corrupção, mundo

Mulheres

Prazer, ondas

 

Não sei, não sei

 

Não sei o que falta

O que falta

Nada falta na ausência

 

Eu quero pensar

Ou eu não quero pensar

 

Eu me confundo

Minhas incoerências

Minha arrogância

 

 

4792



Escrito por farelomartinez às 03h54
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Jesus, você está ocupado?

E daí? E daí nada.

 

Cada mês passado no exterior parece-me anos. Como andam as coisas pelo Brasil, pergunto aos meus pais, aos amigos. As mesmas de sempre.

 

“E daí? Daí nada” é a penúltima postagem da coluna de Eliane Cantanhêde na Folha de São Paulo. Sempre vejo sua indignação sobre a falta de ética na política nossa, sobre a impunidade de larápios funcionários públicos, sobre a falta de perspectiva de correções que extirpem a corrupção dos órgãos públicos brasileiros.

 

Por que somos tão tolerantes? Eu quero pensar se isso vem da nossa base religiosa cristã, se somos realmente condicionados há tanto tempo a oferecer a outra face. Que capacidade a nossa de perdoar, de esquecer, de não saber revidar! Amanhã morrerá um Paulo Maluf, será velado numa Assembléia Legislativa e muitos populares serão captados em lágrimas pelas lentes da imprensa.

 

Pessoas pobres têm sucumbido em filas de hospitais públicos quando recursos suficientes para a construção de novas alas, para a contratação e qualificação de profissionais, para a aquisição de equipamentos e materiais, são desviados para os bolsos de quem nos representa. De quem nos representa porque ainda confiamos que a democracia representativa ainda é o sistema mais justo que conhecemos, porque acreditamos que alguém pode nos salvar. Acreditamos num Lula, acreditamos num Barack, e ainda há quem acredite num Collor – e por isso hoje ele é senador. Temos vários Jesus por aí.

 

O Brasil têm o maior número de analfabetos da América. Bolívia é um país livre do analfabetismo e Paraguai ruma para o mesmo. Falamos dos analfabetos de fato, mais de 10% da nossa população adulta, pessoas que não sabem ler e escrever. Nesses recentes dados da UNESCO não são considerados os analfabetos funcionais, ou seja, aqueles que podem ler e escrever mas têm pouca capacidade para interpretar o que lêem, e em extensão mal escrevem e mal entendem o que ouvem. Dados do Ibope de 2005 revelaram que 3 entre 4 brasileiros são analfabetos funcionais.

 

Numa definição encontrada no Wikipédia, muitos analfabetos funcionais inclusive têm formação superior completa. Podemos suspeitar, entender até, porque o exame da OAB tem um índice de reprovação estrondoso e também porque nossas leis têm tantas brechas, porque somos tão frágeis para punir corruptos, porque não conseguimos reformar leis e códigos, porque encontramos tanta ferrugem num Código Penal.

 

Perdemos em toda América porque temos o maior número de analfabetos de fato. E temos também os analfabetos funcionais que votam sem uma colinha ou um instrutor, que anulam seus votos porque “querem que tudo se dane”, que votam num conhecido para vereador porque pensam em uma boquinha na administração pública, que vão se sensibilizar pelas próximas campanhas marqueteiras mostrando políticos que lutam até contra o câncer.

 

Na Nova Zelândia sei de brasileiros que forjam documentos, que falsificam extratos bancários para o departamento de Imigração. Sei de brasileiros que vendem narcóticos, que roubam ferramentas e materiais trabalhando em canteiros-de-obra. Sei de gente que não quer estudar e que paga para outro brasileiro, que entende melhor o idioma, tirar a sua carteira de motorista.

 

E daí? E daí nada. Nada acontece. Somos malandros, somos versáteis, damos um jeitinho sempre.

 

Alguns zombam de mim, dizem que estou ficando velho quando discuto isso. Quem reclama é chato, quem reclama é acusado de hipócrita, de demagogo. Quem desiste e foge desse sistema é fraco, é louco. Quem reclama esconde algum segredo podre.

 

 

 

 

4715

 

 



Escrito por farelomartinez às 23h05
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Morte sem verbo

 

O nada claro no quarto do sábado fúnebre. Braços paralelos pesados com doloridas chagas e o nariz para o teto, cinza o teto.

 

Na cama o lado esquerdo, o direito vazio. Os maus sonhos, os olhos abertos.

 

Mulher no carpete azul, camiseta velha e só. Longas pernas nuas, cabelos castanhos encaracolados, rosto salpicado laranja, lábios rosados, o relevo dos seios na camiseta velha, na camiseta velha e só.

 

Tempo igual, tempo parado, porta fechada, oxigênio minguante. Morte esperada para uma vida morta e a mulher, a mulher no chão.

 

Sem perfume, brilho, flores, luzes. Sem passos, caminho, nuvens. Sem temperaturas, sem ancestrais e sem música.

 

Os olhos acesos da mulher, o carpete abandonado e o lado direito da cama, o lado direito da cama ocupado.

 

Maus sonhos acabados com os olhos cerrados. E os cabelos rebeldes repousados no há muito peito calado.

 

4652



Escrito por farelomartinez às 03h11
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O que você fez

 

Me deixa colocar no papel o que você está fazendo comigo

Porque algo está errado e eu não sou tão duro quanto penso que sou

Eu quero admitir que mais uma vez me iludo

E não, não pode estar acontecendo

 

Não me responda mais

Alimentando minhas fantasias

Sei que estou enganado, acho que estou enganado

E algo me diz que não, não estou enganado

 

Suas cores e seus sorrisos

E eu não sei nada

 

Eu quero água e mais, e mais ar

E o seu sorriso

As suas palavras

Suas cores

 

Me deixa sair daqui

Me deixa correr daqui de dentro de mim

Me dá o seu ar

A um dedo do meu nariz

 

Não, acenda a luz porque não quero me perder

Me acorda e saia

Saia você

Corra daqui de dentro de mim

 

Volta, não sei o que estou dizendo

Esqueça tudo que disse antes

Não estou enganado, não

Você chegou porque tinha que ser

 

E eu sei tudo

Esperava que isso acontecesse

Era só o tempo que, que...

Só estou, só fiquei um pouco assustado

 

Apaga a luz e não saia mais daqui

Porque meu peito precisa do seu peso

E não me deixa acordar

Não saia, não saia do meu sonho

 

Não saia do meu sonho

Não entra na minha vida

Porque eu não quero vê-la sair

 

E você não vai saber dessas palavras

Não sabe o que está fazendo comigo

Se alguém lhe falar delas não dá ouvidos

 

Não, não leia, deixa assim, assim

 

Não, não, não

Leia, leia... sim, leia

E venha rápido, e saia do meu sonho

Eu quero admitir que mais uma vez me engano

Mas não consigo e nada está errado, não sou tão duro assim

 



Escrito por farelomartinez às 09h14
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