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Sociologia Independente
 


Aphrodite's

 

Algum amigo dísponível pra tomar uma cerveja na Aphrodite's?

Mensagens inbox, please.

 

6792



Escrito por farelomartinez às 06h25
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Um homem livre

Esses são alguns instantes de um homem livre

Sem patrão

Sem empregados

Sem mulher

Sem religião

Sem afiliação político-partidária

E com o aluguel do dia pago

 

A maior riqueza desse homem é a liberdade de pensamento e de expressão

A outra face dessa liberdade é a solidão

 

Mas é na solidão que ele se conecta com todos os sons ao seu redor

Que ele fecha os olhos e confia que somente a sua própria força é aquela que lhe protege

6786



Escrito por farelomartinez às 02h15
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Anastácia

 

200 dólares por uma espanhola de codinome Anastácia

Perto do clímax ela ofegava "ai que rico, ai que rico"

Aprendi que na língua espanhola

Não é preciso ser rico pra ser rico

 

Por Valadão Sapporo

 

6778



Escrito por farelomartinez às 07h35
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Correntes quebradas

 

Toda bronca tem um fundo de ameaça

E a idéia do controle e do castigo

Querendo silenciar aquele visto como errado

E como fraco

 

O senhor da razão

Contra o servo da ignorância

 

Do servo é cobrado o arrependimento

E a conscientização de que sua palavra nada vale

Ao senhor é reservado o direito de perdoar

Com a bênção de seu Deus

 

Que a ordem dada seja a ordem executada

Para que nenhuma desordem

Desordene o sono do senhor

 

A liberdade do servo termina

Onde a vontade do senhor começa

 

Mas a figura do servo

Vive somente na insanidade do senhor

Numa idéia unilateral de poder

O servo só pode ser visto no espelho do senhor

 

Atrás da vaidade do espelho

O grito de um libertado

Não pode ser enquadrado pela proibição

O senhor não quer perceber que as correntes foram quebradas

 

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Escrito por farelomartinez às 21h48
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Existe outra opção

 

Uma discussão por um motivo tão banal entre o surfista Ricardo dos Santos e o policial Luís Paulo Brentano poderia ter sido resolvida com um sorriso, com um pedido de desculpas e com um aperto de mãos.

Poderia ter sido assim. Poderia ter acabado diferente.

Que a gente reflita uma, duas, três, quatro e até cinco vezes antes de propagar e estimular o ódio seja através de um bate-papo, seja através de uma rede social.

Quanto mais ódio disseminado, mais expostos e vulneráveis às suas consequências todos nós ficamos.

É possível protestar contra as injustiças de nossa sociedade sem necessariamente fazer apologia ao ódio e à violência. Sempre existe outra opção.

Sobre a reação do policial eu considero errado um agente de segurança andar armado em seu tempo de folga, assim como errado quando o policial faz um "bico" enquanto deveria estar descansando. A polícia brasileira é muito mal estruturada e por isso pouco eficiente e, não raramente, desastrosa.

Que o Ricardinho descanse em paz e que sua alma encontre uma perfeita e eterna onda.

 

6759



Escrito por farelomartinez às 07h16
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Indonésia 107

Cuba vai ficando pra trás

A onda agora das pessoas de bem

É mandar o nosso lixo social pra Indonésia

 

Meus pêsames, tia!

Mas que esse vagabundo morra mesmo

E que sofra, fuzilado!

 

Porque na Indonésia as coisas são diferentes

Lá as leis são respeitadas

 

Sou um cristão

A favor da pena de morte

Dirijo alcoolizado

Álcool não é droga!

Maconha? Já provei e daí?

E se meus amigos fumam, o problema não é meu

Propina? Já paguei e já recebi!

 

Mas sou um cidadão do bem!

E odeio esse nosso governo hipócrita

Meu salvador está a caminho

Vindo a cavalo com a nossa bandeira em punho

Com armas e palavras de ordem

 

Sou um cidadão do bem!

Quem não está comigo, está contra

Ou você é do bem, ou você é do mal

 

(*No ranking 2014 da Transparency International que mede a percepção sobre a corrupção, quanto maior a numeração mais corrupção no país. Dinamarca 1. Nova Zelândia 2. Brasil 69. Indonésia 107. Somália, em último lugar, 174).

(** O brasileiro Marco Archer executado no final de semana era um usuário ativo de metanfetamina, droga que conseguia dentro do presídio através de um sistema de corrupção envolvendo agentes de segurança pública da Indonésia e traficantes)

(*** Texto também publicado no Facebook)



Escrito por farelomartinez às 00h33
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Publicação na Folha de São Paulo

Amigas e amigos, caros leitores

O texto "Entendendo os arrastões de São Paulo" foi publicado na Folha de São Paulo e pode ser conferido através do link

http://www1.folha.uol.com.br/paineldoleitor/meuolhar/1106351-leitor-questiona-relacao-de-policiais-com-empresas-de-seguranca-em-sp.shtml .

A Folha, sem o meu pedido, disponibilizou na matéria o trailer de "Tropa de Elite 2" de José Padilha. O texto também foi editado e a parte em que eu cito a fonte do site "Jornal Flit Paralisante" não foi incluída. A mesma informação pode ser lida no site do Estadão e no R7 entre outros. Segue o link

http://blogs.estadao.com.br/jt-cidades/com-arrastao-policiais-vendem-seguranca/

 

Abraços e obrigado pelos acessos e críticas!

 

 

 



Escrito por farelomartinez às 05h38
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Entendendo os arrastões de São Paulo

Hoje vivo em Auckland, na Nova Zelândia, mas a minha vocação continua ser querer entender os problemas sociais do Brasil. E a internet e´ uma ferramenta muito potente ao passo que me mantém informado cotidianamente das principais notícias veiculadas pela imprensa e porque possibilita que eu de alguma forma pratique o que estudei postando em Sociologia Independente e participando como leitor dos fóruns do site da Folha de São Paulo.

Venho deixando comentários em alguns assuntos de repercussão nacional recente como o caso da atuação da Rota que matou seis pessoas, a maioria dessas com passagens pela polícia, num lava-jato de São Paulo no final do mês de maio. Meus comentários foram muito mais depreciados do que elogiados porque desde o início eu apontava um comportamento irregular da Rota naquela ocorrência. Para mim era muito estranho que todos os seis haviam sido socorridos após baleados e morrido apenas no hospital. Eu imaginava que eles tivessem sido mortos no local e que a Rota tivesse retirado os corpos dali para dificultar investigação e trabalho da perícia. No dia posterior já se comprovou que ao menos um havia sido torturado e morto dentro da viatura a caminho do hospital. Fui chamado pelos internautas de “intelectualzinho de esquerda”, de “defensor de bandido”. Falaram até que eu tinha associação com o PCC. Dá para acreditar na imaginação dessa gente?

No dia 30 de maio houve um toque de recolher na Cidade de Tiradentes, segundo a imprensa seria uma retaliação do PCC à ação da Rota. E eu questionei na Folha o quanto o toque de recolher seria algo lucrativo para muitos policiais. Transcrevo o comentário que fiz:

 

“Proponho que a imprensa investigue as empresas de segurança privada, que faça um levantamento para revelar quantas dessas empresas são geridas por policiais. Explico. Quanto maior o medo do cidadão mais ele investe em segurança privada. Ele paga pelo serviço do vigilante que ronda a sua rua, que zela pelo seu comércio. Ele instala cerca elétrica e alarme e paga mensalmente para ser monitorado. Ou seja, quando a polícia não age, o cidadão recorre ao serviço privado. Toque de recolher dá lucro.”

 

Este mesmo comentário eu retransmiti dias depois em matérias da Folha de São Paulo a respeito dos recentes arrastões em condomínios e em restaurantes. Inclusive o postei na coluna de Gilberto Dimenstein.

 

Eis que ontem 17 de junho saiu publicação no site “Jornal Flit Paralisante” comprovando minha suspeita e eu aqui copio parte da reportagem “Policiais usam onda de arrastões para vender segurança em São Paulo”:

 

“Foi só a onda de arrastões a restaurantes e bares se alastrar pela capital paulista para grupos de policiais civis e militares e agentes penitenciários usarem o medo despertado pelo crime para venderem “segurança” aos comerciantes. Às vezes, a proposta chega a ser feita até durante o registro de uma ocorrência. (...) A atuação dos grupos ocorre justamente em alguns dos bairros que passaram a ter o efetivo ampliado em dias de festa por ordem do governador Geraldo Alckmin (PSDB), como Jardins e Itaim-Bibi, na zona sul, e Pinheiros, na zona oeste. A medida começou na terça-feira (12), Dia dos Namorados. Na semana passada, o Estado visitou restaurantes nessas três regiões. Em todas, proprietários disseram ter sido abordados por policiais. Foi o caso de Augusto Mello, dono da cantina Nello’s, em Pinheiros, assaltada no início de fevereiro. — “Já veio gente de todo tipo aqui: PM, ex-PM, representante de empresa de segurança.”  (...) Quem contrata serviços de policiais consegue privilégios em relação ao restante da população. Dessa maneira, o policiamento ocorre de forma mais ostensiva nos endereços atendidos por agentes em horário de folga. Quem paga pode até contar com informações privilegiadas da polícia, seja por rádio ou contato direto nas delegacias.”

 

O site sugere que denúncias sejam feitas às Corregedorias das Corporações e pelo disque-denúncia (181).

 

Eu defendo a tese de que policiais envolvidos com empresas de segurança privada estão sistematicamente deixando de atender ocorrências quando não até sendo responsáveis por crimes para aterrorizar o cidadão e estimular o crescimento de suas empresas.

 

Para quem assistiu “Tropa de Elite 2”, é prática semelhante das milícias do  Rio de Janeiro. E na pior das hipóteses, como acontece com a máfia, você paga a polícia para ela lhe proteger dela mesma.

 

 

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Escrito por farelomartinez às 10h12
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O filho de Eike e o brasileiro eletrocutado - erros em ações policiais

 

5 anos de Sociologia Independente. Obrigado a todos os amigos e amigas, caros leitores que já acessaram essa página deixando ou não comentários.

Venho fazendo comentários nas diversas reportagens da Folha de São Paulo on line e anexando matérias no Facebook e menos textos nesse blog que criei em 2007. Estar escrevendo por 5 anos de maneira independente, sem conseguir tirar sustento desse exercício, faz-me honestamente repensar a validade desse esforço. Num próximo segundo vem a resposta, sim, vale a pena postar um raciocínio livre mesmo que um único amigo, tão apaixonado como eu pela liberdade de expressão, acesse essa página e me diga: Fabão, eu leio seus textos.

Fico contente também, naquele exercício de ler os comentários de internautas na Folha on line e com eles interagir, que muita gente está se expressando com maior liberdade contra a opressão dos políticos desonestos, contra um sistema policial corrupto e violento, contra influentes empresários dos diversos meios que enriquecem ilicitamente e pouco temem as garras da justiça, contra as discriminações por raça, credo, opção sexual.

O blog Sociologia Independente segue vivo, mesmo sem meu respeito a periodicidade e sem um moderno layout.

Dois acontecimentos nessa semana norteiam minha imaginação. A morte do brasileiro Roberto Curti na Austrália e do ciclista atropelado pelo filho de Eike Batista. A coincidência em ambos os fatos que abordo é a ineficiência da operação policial.

Roberto foi morto após ter sido eletrocutado por agentes da polícia australiana na tentativa de prendê-lo. Teve uma parada cardio-respiratória e não resistiu ainda quando deitado na calçada. Agentes foram acionados para atender a ocorrência do furto de um pacote de biscoitos numa loja de conveniência em Sidney. Roberto resistiu à prisão, correu. Suspeitas foram levantadas e mesmo que ele tenha furtado ou não o pacote de biscoitos, que tenha desobedecido à ordem de parar, que estivesse drogado ou não, que estivesse vivendo naquele país ilegalmente ou não, houve excesso e portanto erro da equipe policial que preferiu o uso do aparelho de choque chamado Taser ao invés de aplicarem técnicas de artes marciais para imobilizar o brasileiro, uma vez que são treinados para isso. Preferiram o meio mais prático, usar o aparelho, e ignoraram o risco pequeno de cerca de 3% de sérias lesões ou de óbito provocados pelo Taser. Mataram um rapaz de 21 anos numa ação truculenta em que poderiam optar por outra técnica sem comprometer suas próprias integridades. Não estamos aqui tratando de um suspeito que apresentasse alta periculosidade.

No caso do ciclista Wanderson atropelado e morto pelo filho Thor do bilionário empresário Eike Batista, errou a Polícia Rodoviária quando prontamente liberou que a Mercedez McLaren fosse retirada do local, sem perícia feita, a pedido do advogado da familia Batista. Não hesito em suspeitar que alguns policiais ganharam uma razoável propina pela ocasião. Com a prova contaminada, fica a palavra do vivo contra o silêncio do morto, a versão de que o ciclista cruzou repentinamente o caminho da Mercedez e não de que o motorista invadiu o acostamento como muito se acredita. Uma comparação entre a forma como o ciclista habitualmente trafegava por ali e o histórico de motorista irresponsável mais o estrago feito no veículo e a desfiguração do corpo da vítima, crê-se que no mínimo dirigia-se em alta velocidade e portanto imprudentemente.

Os dois casos ainda estão fervendo na mídia e novos desdobramentos deverão surgir em breve, até serem sobrepostos por novos crimes. Convido os caros leitores que acessarem essa página a postar críticas e comentários. Sejam livres para aqui se expressarem.

E podem me incluir como um sociólogo defensor dos direitos humanos, mesmo que assim alguns o façam pejorativamente.

Abraços e obrigado!

 

Fabio Morato

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Escrito por farelomartinez às 03h43
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Recado aos ladrões

“Operações da Polícia Federal flagraram o desvio de R$ 3,2 bilhões de recursos públicos em 2011, dinheiro que teria alimentado, por exemplo, o pagamentos de propina a funcionários públicos, empresários e políticos”.

 

(em “PF flagra desvio recorde de recursos públicos em 2011” site Folha de São Paulo, 2 de janeiro de 2012)

 

 

 

Recado aos ladrões

 

 

Não vou descansar, seus porcos, devolvam o que vocês roubaram de mim e de minha família, de meus amigos e seus familiares.

 

Eu tinha um boa paisagem diante de meus olhos e crianças brincando e pintando palhaços e borboletas na mesma mesa redonda de vidro mas coloquei um som mais pesado para não deixar de ser o que sou quando os meus pés perdessem o contato com o chão.

 

Não está nada bom. Mentirosos vocês são, vampiros, malditos, ladrões, sujos, hienas.

 

Vocês puxam as cordas do sistema mas não vêem que muitos de nós guardam tesouras afiadas nos bolsos.

 

Safados, ladrões, egoístas, corruptos. Traidores.

 

Vocês sabem que estou falando com vocês e não vão dormir em paz porque essas palavras martelarão suas cabeças. Vocês roubaram daqueles que em vocês confiam e muitos cordeiros ainda não percebem, mas muitos desses que vocês vêem como cordeiros são atentos vorazes que querem as suas carcaças. E muitos desses que querem as suas carcaças já foram mastigados e esfolados, tiveram seus joelhos rasgados no fundo do poço e mancharam muitas páginas de incontáveis livros com seus dedos em sangue.

 

Faremos vocês, ladrões, tropeçar a qualquer momento e suas mãos ocupadas com nossas riquezas não evitarão suas quedas.

 

 

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Escrito por farelomartinez às 06h42
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Trabalho no Brasil: questão de Saúde Pública

 

Uma pesquisa divulgada pela Folha de São Paulo em seu site há menos de um mês, conclui que 8 em 10 brasileiros intencionam mudar de emprego. Conforme o estudo e a edição enviesada da reportagem, isso vem sendo motivado pela expansão da economia com o seu consequente aumento da oferta de empregos.

 

Quando 80% dos trabalhadores desejam largar seus empregos, isso não pode ser porque atualmente existe uma tremenda chance de conseguir melhores oportunidades. Essa relação é incoerente quando se trata do mercado de trabalho referente a um país.

 

Se essas mágicas oportunidades existissem em abundância, para aguçar as ambições da grande parte de uma nação, os correntes postos de trabalho não poderiam ser tão insatisfatórios e geradores de tanto descontento.

 

Onde estão essas oportunidades? Seriam muitíssimas portanto, obviamente não suficientes para atender toda a demanda, e estariam presentes dentro do próprio ambiente de trabalho. Não estamos falando de propostas oferecidas em outros países.

 

Contagiosamente, essas chances encantadoras vivenciadas dentro das próprias organizações forçariam ou influenciariam o melhoramento das atividades já existentes. Isso evitaria que houvesse tanta vontade de mudar de colocação.

 

O brasileiro hoje em sua maioria deseja mudar de emprego porque percebe de alguma forma que o seu trabalho é muito pouco valorizado e sofre com essa frustração.

 

A expansão da economia brasileira não serve para beneficiar a qualidade de vida da maior parte dos brasileiros. Essa maior parte de brasileiros é que serve para alimentar a demanda dirigida por uma quantidade muito menor de pessoas que concentra riquezas dentro e fora do Brasil.

 

Aumento de consumo não necessariamente está colado ao aumento de renda e valorização do trabalho. Daí que uma ferramenta para fazer a produção girar é a concessão de crédito extendida às diversas camadas. O pobre pode ter uma geladeira e pagá-la em pelo menos dois anos. Outro pode ter um carro quitado em 6 anos. O valor final do produto acrescido dos juros revela que os consumidores pagam por dois mas levam apenas um, além de terem seus produtos depreciados com o considerável tempo.

 

Portanto o trabalho do brasileiro vale pouco, trabalha-se mais para adquirir metade. A decisão para comprar um bem é muitas vezes feita na capacidade de honrar uma mensalidade, menos importando quantas elas sejam. É uma ilusão, uma propaganda política, dizer que o poder aquisitivo do brasileiro tem aumentado.

 

Um comparativo serve para mostrar a relação valor de trabalho e qualidade de vida. Na Nova Zelândia, país com baixo índice de corrupção e com alto índice de desenvolvimento humano, um casal formado por exemplo, por um faxineiro e uma garçonete, que recebem cada um salário mínimo, consegue pagar aluguel de um apartamento de um quarto num bairro bom e central próximo de seus empregos. O mesmo casal morando na cidade de São Paulo muito provavelmente tenha que morar num barraco e numa favela e perder horas por dia para chegar ao serviço.

 

Enquanto no Brasil não forem criadas leis que efetivamente forcem a distribuição de renda e de propriedade, a grande massa trabalhadora continuará sendo desvalorizada.

 

Numa sociedade voltada para o trabalho, não é difícil entender o porque de muitas  frustrações e angústias (e que estão nas bases de muitas doenças). O baixo valor dado ao trabalho no Brasil é sem dúvida questão de sáude pública.

 

 

(Procurem pelo google a matéria da Folha chamada “8 em 10 pessoas consideram mudar de emprego em 2011”).

 

 

 

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Escrito por farelomartinez às 06h10
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Chutes na bunda matam policial e vereador em revolta popular

 

Foi duramente condenado pelo relatório da ONG Paz para todos, o que fizeram com o policial Vasco Sentinela e com o vereador da cidade de Telhado Azul, Alcindo Laranja.

O terceiro denunciado no esquema de corrupção, o comerciante Severo Paulada Doce, desapareceu. Suspeita-se que ele tenha sido morto, seu corpo queimado com o Audi 2001 e prensado no desmanche do cunhado do delegado. Até o momento, porém, não há qualquer confirmação.

As imagens mostradas pela televisão local não deixam dúvidas sobre o esquema que desviava verbas das merendas escolares. O povo revoltado se empolgou com a idéia do mecânico Paulo Soares, da Mecânica Paulão e, ao invés do linchamento, o sugerido foi acatado.

Sentinela, o policial, e Laranja, o vereador, foram levados por um grupo de 40 moradores para o centro do campo municipal de futebol. Suas mãos foram atadas e a invenção do mecânico Soares presa aos seus corpos.

Trata-se de uma cinta de couro, daquelas largas usadas em academias de ginástica, com um sistema de hastes e pequenas roldanas que sustentam uma bota. Sim, uma bota. O mecanismo funciona de uma forma que a cada passo dado pelo aprisionado um pontapé é dado em seus traseiro.

Cerca de 3 mil pessoas foram ao estádio municipal de futebol para presenciar a humilhação dos acusados. Aos gritos de "pega ladrão", quatro cães vira-latas foram soltos e atiçados para atacar os dois que fugiam pelo gramado levando chutes e mais chutes em suas nádegas. Após 5 minutos, Laranja caiu e foi severamente agredido por três dos cães. Sentinela resistiu mais 4 minutos até que tropeçou e bateu sua cabeça na trave, morrendo no campo devido ao forte traumatismo.

Laranja foi levado ao hospital mas não resistiu aos ferimentos, entrando em óbito às 22 horas.

Segundo o porta-voz da organização Paz para todos, Lauro Anilhas, a revolta popular feriu os preceitos dos direitos humanos e não deve servir de exemplo para aqueles que acreditam em fazer justiça com as próprias mãos.

Uma queima de fogos de artifício foi promovida pela maior rede de supermercados da região. O proprietário da rede foi procurado pela imprensa mas não quis se pronunciar.

 

 

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Escrito por farelomartinez às 07h01
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A periquita e a água suja - da corrupção policial às enchentes

 

Corrupção. Eu não poderia abordar este assunto de forma crítica e combativa sem antes assumir a minha, mesmo que não tão importante ou expressiva, experiência.

 

Na última postagem há longa data eu relatei exemplos meus de má conduta. Imagino que alguns leitores desta página também têm as suas histórias, em menor número e menos graves - mas porventura em bem maior número e mais graves.

 

Portanto proponho àqueles críticos mais vorazes um momento de reflexão e a coragem para divulgar os seus desvios também.

 

Para tratar uma ferida é preciso incialmente descobri-la.

 

 

 

  * * *

 

Não acredito que haja um policial civil do estado de  São Paulo que não tenha vivido a experiência do desvio de conduta, da corrupção. Se o agente público não participou diretamente da corrupção, ao menos tomou conhecimento da má conduta de um colega de profissão. Se não o denunciou, prevaricou e contribuiu para o ato criminoso.

 

Porém se o agente denuncia aquele que corrompe e não participa de esquemas de corrupção, este trabalha em favor da sociedade e do bem comum. É o agente que não utiliza o bem público em benefício próprio infringindo as leis e zela pelo cumprimento das mesmas.

 

Mas o que leva um agente público a desviar recursos públicos?

 

É dito que o salário do policial civil de São Paulo é o mais baixo da categoria em todo o país. Um vencimento em torno de 2 mil reais é o suficiente para um pai ou mãe de família cuidar de seus entes de maneira digna? Consideremos também que a esmagadora parte das famílias brasileiras vive com uma renda menor que essa.

 

Quando um candidato presta o concurso público para ingressar em alguma carreira policial, ele sabe antecipadamente o valor do vencimento. Poderia evitar então o dissabor de um salário desinteressante tentando ingressar numa outra carreira, seja pública ou não.

 

Vale então o motivo de receber um salário insuficiente para que um agente policial desvie recursos públicos para o próprio bolso, seja através de propinas, extorsões, negociatas e quaisquer tipos de delitos?

 

O combate à corrupção, em relação à polícia, passeia por algumas questões:

 

Questão de moral e de arbítrio do agente que terá que se relacionar num ambiente muitas vezes já contaminado com esquemas de corrupção. Estará em ocasiões diversas forçado hierarquicamente a prevaricar. Sua moral, seus valores de ética e integridade determinarão sua conduta;

 

Questão de fiscalização do órgão público, na figura da Corregedoria, e de outros órgãos, como o Ministério Público, que vigiem a própria Corregedoria.

 

Questão de ação do governo para investir em melhores vencimentos, em melhores condições de trabalho e em planos de carreira para os policiais.

 

 

O funcionário público que corrompe também pode agir motivado por uma raiva contra o Estado/patrão que não o acolhe devidamente, e contra uma sociedade que, a seu ver, não reconhece o seu trabalho. É a mesma motivação, porém, que leva cidadãos miseráveis a depredar patrimônios públicos, como ônibus e fachadas de prédios governamentais. Ambas são formas de vandalismo e de violência. Sim, em casos extremos e não raros, não é de se espantar que policiais ainda torturem cidadãos criminosos ou não em ruas escuras, em ambientes privados ou mesmo em delegacias.

 

Recentemente noticiou-se o caso da escrivã policial que foi revistada a força por policiais da Corregedoria após a suspeita de ter recebido dinheiro ilícito. A opinião pública dividiu-se entre o horror pela violência contra a integridade da mulher e entre o horror pela corrupção da funcionária pública.

 

O vídeo mostrou claramente a ferocidade na conduta dos policiais da Corregedoria da Polícia Civil e também a falta de ética, de preparo e de honestidade da policial que poderia ter apresentado a prova ilícita espontaneamente antes da iminente revista.

Outro vídeo circulado nos últimos dias tem a deputada Jaqueline Roriz ao lado do marido recebendo verba ilegal, 50 mil reais, para a sua campanha. Como manobra orientada por seu partido, por seus assessores e pela experiente família em assuntos semelhantes, a parlamentar se afastou da comissão especial da Câmara que discutirá a reforma política. Encerrou a sua nota de afastamento com as seguintes palavras: “Continuarei contribuindo com propostas que façam com que o país encontre mecanismos eleitorais ainda mais democráticos, que ajudem a minimizar as injustiças sociais do nosso Brasil”.

“Que ajudem a minimizar as injustiças sociais do nosso Brasil”! Um escândalo como esse de corrupção, comprovado e filmado, com uma nota de afastamento tremendamente cínica é o mesmo que arrancar à força as calças de toda uma sociedade que espera probidade de seus representantes.

Todo recurso no Brasil que é desviado dos cofres públicos diariamente para o benefício pessoal e em prejuízo do bem público coloca o país a uma distância enorme dos países que estão no topo em relação a qualidade de vida. Nestes países, os índices de corrupção também são baixíssimos.

 

Não é uma ousadia arriscar que o montante de dinheiro que sangra no país devido à corrupção seria, por exemplo, extremamente relevante para melhorar a infra-estrutura da sua maior cidade, São Paulo, que sofre com os problemas que decorrem das cotidianas enchentes.

 

A corrupção nas instituições públicas do Brasil é o fator que mais impede o desenvolvimento e a justiça social no país ao lado do desinteresse do governo em resolver de fato o problema da distribuição de renda e de propriedade.

 

 

 

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Escrito por farelomartinez às 22h46
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Casos de corrupção

“Não há mais medo, o corrupto hoje em dia anda com testa alta, olhado com inveja” – Arnaldo Jabor

 

 

Caso 1: Eu já subornei um policial rodoviário.

 

Fazia uma viagem de São Paulo para Trindade, no sul do Rio de Janeiro. Minha namorada portava maconha em sua bolsa.

 

Quando adentramos o Estado fluminense pela Rio-Santos fomos parados por um policial que tinha sua viatura no acostamento. Ele anunciou que a policia rodoviária federal fazia uma varredura em busca de drogas e armas.

 

Meu carro era uma Paraty e a prancha de surfe estava amarrada em seu teto. Nossas bagagens no porta-malas.

 

O policial começou pela parte interna do veículo, ou seja, pelos nossos bancos, porta-luvas e console. Alcançou a bolsa de minha garota e quando tirou de dentro dela uma latinha azul com a imagem de Nossa Senhora, eu imaginei “agora ferrou”. O astuto sabia que havia farejado algo ilícito.

 

Bingo! Uma ponta de baseado. Eu fiquei gelado e ela boquiaberta.

 

“O que é isso?” esbravejou a autoridade. Não sei, eu respondi. “Isso é maconha!” ele completou.

 

“Isso é tráfico de drogas!”, ele nos apavorou.

 

Ao guarda ela foi com aquela desculpa esfarrapada de que a bolsa era de uma amiga. Ele me conduziu à sua viatura e pediu que a garota tomasse o volante de meu carro para que fôssemos à delegacia.

 

Porém, ainda parados no acostamento, ele começou com um sermão que me direcionava a suborná-lo. Eu me fiz de bobo, disse que não sabia que aquilo era maconha e ainda que aquela garota era uma aventura recentíssima e desconhecida portanto.

 

“Se formos adiante o delegado vai prendê-los por tráfico”. O que era um absurdo, aquilo não pesava nada, era metade do meu polegar.

 

Meio intimidado e amedrontado, não queria ser fichado e nem que ela fosse, eu ofereci “a gente pode acertar isso por aqui?”.

 

O policial foi direto “quanto você tem?”. Eu dei 80 reais a ele (isso foi em 2000), a grana que salvaria nossa hospedagem.

 

Fomos liberados e eu fiquei bem bravo com minha namorada porque o vício era dela e dar dinheiro a um policial me enojava.

 

Chamou-me atenção a abordagem policial na época. O agente disse que a ação visava encontrar drogas e armas. Ele sequer abriu o porta-malas para buscar maiores provas (mais drogas e armas) – ele suspendeu a revista assim que encontrou qualquer coisa suficiente para nos extorquir. Fiquei sabendo depois que outros surfistas foram extorquidos no mesmo ponto da rodovia. Parece-me que o policial era habituado a forçar situações para receber propinas.

 

 

Caso 2: Eu comprei em parte a minha carteira de motorista.

 

No começo do ano fui a uma auto-escola na Lapa para renovar minha habilitação. À recepcionista disse que havia sido indicado por um policial amigo do delegado Dr. Fulano.

 

O delegado era um dos proprietários da auto-escola pelo que me foi dito. Não posso afirmar que o seu sócio era apenas o laranja.

 

Paguei 50 reais para ficar de frente ao computador fingindo mexer no mouse. Na verdade, a recepcionista, da sua mesa, operava o mouse e respondia todas as questões por mim.

 

Eu precisava da carteira com urgência e portanto aceitei a indicação de um amigo sobre a facilidade.

 

 

Caso 3: Delegados corruptos (fonte Folha.com – 22/11/2010).

 

A promotoria denunciou 22 sob acusação de fraudes no Detran de São Paulo. Destes, 9 são delegados da Polícia Civil. Os outros 13 ligados a empresas de emplacamento.

 

O rombo aos cofres públicos nos últimos anos pode chegar aos 30 milhões de reais por causa dos contratos fraudolentos com empresas responsáveis por emplacamentos.

 

“A investigação apontou que, somente em julho, agosto e setembro de 2009, a Cordeiro Lopes, empresas que fazia o serviço de emplacamento em todos os municípios de São Paulo (menos na capital), cobrou R$ 16.338.744,39 por serviços prestados, mas, na verdade, o Estado deveria ter pago R$ 6.565.912,46 --diferença de R$ 9.772.831,93”.

 

 

 

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Escrito por farelomartinez às 03h11
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Porque votaria nulo

 

O título da presente postagem evidencia qual seria minha escolha caso estivesse no Brasil durante o segundo turno. Então, dessa maneira, respondo a questão da prezada leitora Lúcia Morato feita na última postagem.

 

Muito coerente foi o candidato Plínio ao anular o seu voto e muito fraca foi Marina (e seu PV) ao manifestar neutralidade e deixar o seu eleitorado orfão.

 

Sobre a vitória de Dilma, acho perigosa a tamanha festança da militância petista que em sua comemoração não se diferencia da fanática torcida de um time de futebol.

 

Não confio que um presidente, uma pessoa, seja responsável pelo melhoramento de uma nação e analiso que isso tenha algo a ver com a nossa orientação religiosa cristã, no tocante à idéia de que um salvador surgirá para nos conduzir ao paraíso.

 

A mudança de uma nação é estrutural mas está sob o aspecto político-partidário, refiro-me portanto à mudança individual. E a idéia, ou vício, de transferir ao próximo por meio do voto essa responsabilidade parece-me uma mera solução prática. Por isso também nas últimas postagens defendi a idéia da profissionalização da política e da obrigatoriedade de qualificação para o preenchimento dos cargos. Se não confio num médico que não tenha o diploma de medicina e que não tenha CRM, e que nenhum advogado pode advogar se não pertencer à OAB, não confio em quem queira ser político e não queira estudar política e os problemas da sociedade. O meu repúdio é contra todos os tiriricas que vêm nos representando.

 

Nessa eleição eu votaria nulo para presidente no segundo turno. Confesso que já votei em PT e em PSDB em outras. Mas as suas inércias e ausências de programas eficazes para o efetivo combate da corrupção e a pronta distribuição de renda e de propriedade colocam os partidos (e seus aliados) no mesmo saco.

 

São assuntos extremamente relacionados, corrupção e pobreza/má distribuição de renda. A Nova Zelândia, por exemplo, é o pais com menor índice de corrupção do mundo e está em terceiro lugar em relação a países com altíssimos índices de Desenvolvimento Humano (o que considera análises sobre saúde, educação e renda). O Brasil está em 69º em relação ao índice de menor corrupção e 73º no IDH. Congo ocupa o 164º lugar em corrupção e 168º em IDH (fontes: ONG Transparência Internacional e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – site Folha de São Paulo).

 

Na próxima postagem abordarei o tema corrupção.

 

 

Muito obrigado às amigas e aos amigos leitores pelos acessos, críticas e comentários! Seus acessos motivam a existência deste blog.

 

 

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Escrito por farelomartinez às 20h46
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