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Sociologia Independente
 


O filho de Eike e o brasileiro eletrocutado - erros em ações policiais

 

5 anos de Sociologia Independente. Obrigado a todos os amigos e amigas, caros leitores que já acessaram essa página deixando ou não comentários.

Venho fazendo comentários nas diversas reportagens da Folha de São Paulo on line e anexando matérias no Facebook e menos textos nesse blog que criei em 2007. Estar escrevendo por 5 anos de maneira independente, sem conseguir tirar sustento desse exercício, faz-me honestamente repensar a validade desse esforço. Num próximo segundo vem a resposta, sim, vale a pena postar um raciocínio livre mesmo que um único amigo, tão apaixonado como eu pela liberdade de expressão, acesse essa página e me diga: Fabão, eu leio seus textos.

Fico contente também, naquele exercício de ler os comentários de internautas na Folha on line e com eles interagir, que muita gente está se expressando com maior liberdade contra a opressão dos políticos desonestos, contra um sistema policial corrupto e violento, contra influentes empresários dos diversos meios que enriquecem ilicitamente e pouco temem as garras da justiça, contra as discriminações por raça, credo, opção sexual.

O blog Sociologia Independente segue vivo, mesmo sem meu respeito a periodicidade e sem um moderno layout.

Dois acontecimentos nessa semana norteiam minha imaginação. A morte do brasileiro Roberto Curti na Austrália e do ciclista atropelado pelo filho de Eike Batista. A coincidência em ambos os fatos que abordo é a ineficiência da operação policial.

Roberto foi morto após ter sido eletrocutado por agentes da polícia australiana na tentativa de prendê-lo. Teve uma parada cardio-respiratória e não resistiu ainda quando deitado na calçada. Agentes foram acionados para atender a ocorrência do furto de um pacote de biscoitos numa loja de conveniência em Sidney. Roberto resistiu à prisão, correu. Suspeitas foram levantadas e mesmo que ele tenha furtado ou não o pacote de biscoitos, que tenha desobedecido à ordem de parar, que estivesse drogado ou não, que estivesse vivendo naquele país ilegalmente ou não, houve excesso e portanto erro da equipe policial que preferiu o uso do aparelho de choque chamado Taser ao invés de aplicarem técnicas de artes marciais para imobilizar o brasileiro, uma vez que são treinados para isso. Preferiram o meio mais prático, usar o aparelho, e ignoraram o risco pequeno de cerca de 3% de sérias lesões ou de óbito provocados pelo Taser. Mataram um rapaz de 21 anos numa ação truculenta em que poderiam optar por outra técnica sem comprometer suas próprias integridades. Não estamos aqui tratando de um suspeito que apresentasse alta periculosidade.

No caso do ciclista Wanderson atropelado e morto pelo filho Thor do bilionário empresário Eike Batista, errou a Polícia Rodoviária quando prontamente liberou que a Mercedez McLaren fosse retirada do local, sem perícia feita, a pedido do advogado da familia Batista. Não hesito em suspeitar que alguns policiais ganharam uma razoável propina pela ocasião. Com a prova contaminada, fica a palavra do vivo contra o silêncio do morto, a versão de que o ciclista cruzou repentinamente o caminho da Mercedez e não de que o motorista invadiu o acostamento como muito se acredita. Uma comparação entre a forma como o ciclista habitualmente trafegava por ali e o histórico de motorista irresponsável mais o estrago feito no veículo e a desfiguração do corpo da vítima, crê-se que no mínimo dirigia-se em alta velocidade e portanto imprudentemente.

Os dois casos ainda estão fervendo na mídia e novos desdobramentos deverão surgir em breve, até serem sobrepostos por novos crimes. Convido os caros leitores que acessarem essa página a postar críticas e comentários. Sejam livres para aqui se expressarem.

E podem me incluir como um sociólogo defensor dos direitos humanos, mesmo que assim alguns o façam pejorativamente.

Abraços e obrigado!

 

Fabio Morato

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Escrito por farelomartinez às 03h43
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Recado aos ladrões

“Operações da Polícia Federal flagraram o desvio de R$ 3,2 bilhões de recursos públicos em 2011, dinheiro que teria alimentado, por exemplo, o pagamentos de propina a funcionários públicos, empresários e políticos”.

 

(em “PF flagra desvio recorde de recursos públicos em 2011” site Folha de São Paulo, 2 de janeiro de 2012)

 

 

 

Recado aos ladrões

 

 

Não vou descansar, seus porcos, devolvam o que vocês roubaram de mim e de minha família, de meus amigos e seus familiares.

 

Eu tinha um boa paisagem diante de meus olhos e crianças brincando e pintando palhaços e borboletas na mesma mesa redonda de vidro mas coloquei um som mais pesado para não deixar de ser o que sou quando os meus pés perdessem o contato com o chão.

 

Não está nada bom. Mentirosos vocês são, vampiros, malditos, ladrões, sujos, hienas.

 

Vocês puxam as cordas do sistema mas não vêem que muitos de nós guardam tesouras afiadas nos bolsos.

 

Safados, ladrões, egoístas, corruptos. Traidores.

 

Vocês sabem que estou falando com vocês e não vão dormir em paz porque essas palavras martelarão suas cabeças. Vocês roubaram daqueles que em vocês confiam e muitos cordeiros ainda não percebem, mas muitos desses que vocês vêem como cordeiros são atentos vorazes que querem as suas carcaças. E muitos desses que querem as suas carcaças já foram mastigados e esfolados, tiveram seus joelhos rasgados no fundo do poço e mancharam muitas páginas de incontáveis livros com seus dedos em sangue.

 

Faremos vocês, ladrões, tropeçar a qualquer momento e suas mãos ocupadas com nossas riquezas não evitarão suas quedas.

 

 

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Escrito por farelomartinez às 06h42
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Trabalho no Brasil: questão de Saúde Pública

 

Uma pesquisa divulgada pela Folha de São Paulo em seu site há menos de um mês, conclui que 8 em 10 brasileiros intencionam mudar de emprego. Conforme o estudo e a edição enviesada da reportagem, isso vem sendo motivado pela expansão da economia com o seu consequente aumento da oferta de empregos.

 

Quando 80% dos trabalhadores desejam largar seus empregos, isso não pode ser porque atualmente existe uma tremenda chance de conseguir melhores oportunidades. Essa relação é incoerente quando se trata do mercado de trabalho referente a um país.

 

Se essas mágicas oportunidades existissem em abundância, para aguçar as ambições da grande parte de uma nação, os correntes postos de trabalho não poderiam ser tão insatisfatórios e geradores de tanto descontento.

 

Onde estão essas oportunidades? Seriam muitíssimas portanto, obviamente não suficientes para atender toda a demanda, e estariam presentes dentro do próprio ambiente de trabalho. Não estamos falando de propostas oferecidas em outros países.

 

Contagiosamente, essas chances encantadoras vivenciadas dentro das próprias organizações forçariam ou influenciariam o melhoramento das atividades já existentes. Isso evitaria que houvesse tanta vontade de mudar de colocação.

 

O brasileiro hoje em sua maioria deseja mudar de emprego porque percebe de alguma forma que o seu trabalho é muito pouco valorizado e sofre com essa frustração.

 

A expansão da economia brasileira não serve para beneficiar a qualidade de vida da maior parte dos brasileiros. Essa maior parte de brasileiros é que serve para alimentar a demanda dirigida por uma quantidade muito menor de pessoas que concentra riquezas dentro e fora do Brasil.

 

Aumento de consumo não necessariamente está colado ao aumento de renda e valorização do trabalho. Daí que uma ferramenta para fazer a produção girar é a concessão de crédito extendida às diversas camadas. O pobre pode ter uma geladeira e pagá-la em pelo menos dois anos. Outro pode ter um carro quitado em 6 anos. O valor final do produto acrescido dos juros revela que os consumidores pagam por dois mas levam apenas um, além de terem seus produtos depreciados com o considerável tempo.

 

Portanto o trabalho do brasileiro vale pouco, trabalha-se mais para adquirir metade. A decisão para comprar um bem é muitas vezes feita na capacidade de honrar uma mensalidade, menos importando quantas elas sejam. É uma ilusão, uma propaganda política, dizer que o poder aquisitivo do brasileiro tem aumentado.

 

Um comparativo serve para mostrar a relação valor de trabalho e qualidade de vida. Na Nova Zelândia, país com baixo índice de corrupção e com alto índice de desenvolvimento humano, um casal formado por exemplo, por um faxineiro e uma garçonete, que recebem cada um salário mínimo, consegue pagar aluguel de um apartamento de um quarto num bairro bom e central próximo de seus empregos. O mesmo casal morando na cidade de São Paulo muito provavelmente tenha que morar num barraco e numa favela e perder horas por dia para chegar ao serviço.

 

Enquanto no Brasil não forem criadas leis que efetivamente forcem a distribuição de renda e de propriedade, a grande massa trabalhadora continuará sendo desvalorizada.

 

Numa sociedade voltada para o trabalho, não é difícil entender o porque de muitas  frustrações e angústias (e que estão nas bases de muitas doenças). O baixo valor dado ao trabalho no Brasil é sem dúvida questão de sáude pública.

 

 

(Procurem pelo google a matéria da Folha chamada “8 em 10 pessoas consideram mudar de emprego em 2011”).

 

 

 

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Escrito por farelomartinez às 06h10
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Chutes na bunda matam policial e vereador em revolta popular

 

Foi duramente condenado pelo relatório da ONG Paz para todos, o que fizeram com o policial Vasco Sentinela e com o vereador da cidade de Telhado Azul, Alcindo Laranja.

O terceiro denunciado no esquema de corrupção, o comerciante Severo Paulada Doce, desapareceu. Suspeita-se que ele tenha sido morto, seu corpo queimado com o Audi 2001 e prensado no desmanche do cunhado do delegado. Até o momento, porém, não há qualquer confirmação.

As imagens mostradas pela televisão local não deixam dúvidas sobre o esquema que desviava verbas das merendas escolares. O povo revoltado se empolgou com a idéia do mecânico Paulo Soares, da Mecânica Paulão e, ao invés do linchamento, o sugerido foi acatado.

Sentinela, o policial, e Laranja, o vereador, foram levados por um grupo de 40 moradores para o centro do campo municipal de futebol. Suas mãos foram atadas e a invenção do mecânico Soares presa aos seus corpos.

Trata-se de uma cinta de couro, daquelas largas usadas em academias de ginástica, com um sistema de hastes e pequenas roldanas que sustentam uma bota. Sim, uma bota. O mecanismo funciona de uma forma que a cada passo dado pelo aprisionado um pontapé é dado em seus traseiro.

Cerca de 3 mil pessoas foram ao estádio municipal de futebol para presenciar a humilhação dos acusados. Aos gritos de "pega ladrão", quatro cães vira-latas foram soltos e atiçados para atacar os dois que fugiam pelo gramado levando chutes e mais chutes em suas nádegas. Após 5 minutos, Laranja caiu e foi severamente agredido por três dos cães. Sentinela resistiu mais 4 minutos até que tropeçou e bateu sua cabeça na trave, morrendo no campo devido ao forte traumatismo.

Laranja foi levado ao hospital mas não resistiu aos ferimentos, entrando em óbito às 22 horas.

Segundo o porta-voz da organização Paz para todos, Lauro Anilhas, a revolta popular feriu os preceitos dos direitos humanos e não deve servir de exemplo para aqueles que acreditam em fazer justiça com as próprias mãos.

Uma queima de fogos de artifício foi promovida pela maior rede de supermercados da região. O proprietário da rede foi procurado pela imprensa mas não quis se pronunciar.

 

 

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Escrito por farelomartinez às 07h01
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A periquita e a água suja - da corrupção policial às enchentes

 

Corrupção. Eu não poderia abordar este assunto de forma crítica e combativa sem antes assumir a minha, mesmo que não tão importante ou expressiva, experiência.

 

Na última postagem há longa data eu relatei exemplos meus de má conduta. Imagino que alguns leitores desta página também têm as suas histórias, em menor número e menos graves - mas porventura em bem maior número e mais graves.

 

Portanto proponho àqueles críticos mais vorazes um momento de reflexão e a coragem para divulgar os seus desvios também.

 

Para tratar uma ferida é preciso incialmente descobri-la.

 

 

 

  * * *

 

Não acredito que haja um policial civil do estado de  São Paulo que não tenha vivido a experiência do desvio de conduta, da corrupção. Se o agente público não participou diretamente da corrupção, ao menos tomou conhecimento da má conduta de um colega de profissão. Se não o denunciou, prevaricou e contribuiu para o ato criminoso.

 

Porém se o agente denuncia aquele que corrompe e não participa de esquemas de corrupção, este trabalha em favor da sociedade e do bem comum. É o agente que não utiliza o bem público em benefício próprio infringindo as leis e zela pelo cumprimento das mesmas.

 

Mas o que leva um agente público a desviar recursos públicos?

 

É dito que o salário do policial civil de São Paulo é o mais baixo da categoria em todo o país. Um vencimento em torno de 2 mil reais é o suficiente para um pai ou mãe de família cuidar de seus entes de maneira digna? Consideremos também que a esmagadora parte das famílias brasileiras vive com uma renda menor que essa.

 

Quando um candidato presta o concurso público para ingressar em alguma carreira policial, ele sabe antecipadamente o valor do vencimento. Poderia evitar então o dissabor de um salário desinteressante tentando ingressar numa outra carreira, seja pública ou não.

 

Vale então o motivo de receber um salário insuficiente para que um agente policial desvie recursos públicos para o próprio bolso, seja através de propinas, extorsões, negociatas e quaisquer tipos de delitos?

 

O combate à corrupção, em relação à polícia, passeia por algumas questões:

 

Questão de moral e de arbítrio do agente que terá que se relacionar num ambiente muitas vezes já contaminado com esquemas de corrupção. Estará em ocasiões diversas forçado hierarquicamente a prevaricar. Sua moral, seus valores de ética e integridade determinarão sua conduta;

 

Questão de fiscalização do órgão público, na figura da Corregedoria, e de outros órgãos, como o Ministério Público, que vigiem a própria Corregedoria.

 

Questão de ação do governo para investir em melhores vencimentos, em melhores condições de trabalho e em planos de carreira para os policiais.

 

 

O funcionário público que corrompe também pode agir motivado por uma raiva contra o Estado/patrão que não o acolhe devidamente, e contra uma sociedade que, a seu ver, não reconhece o seu trabalho. É a mesma motivação, porém, que leva cidadãos miseráveis a depredar patrimônios públicos, como ônibus e fachadas de prédios governamentais. Ambas são formas de vandalismo e de violência. Sim, em casos extremos e não raros, não é de se espantar que policiais ainda torturem cidadãos criminosos ou não em ruas escuras, em ambientes privados ou mesmo em delegacias.

 

Recentemente noticiou-se o caso da escrivã policial que foi revistada a força por policiais da Corregedoria após a suspeita de ter recebido dinheiro ilícito. A opinião pública dividiu-se entre o horror pela violência contra a integridade da mulher e entre o horror pela corrupção da funcionária pública.

 

O vídeo mostrou claramente a ferocidade na conduta dos policiais da Corregedoria da Polícia Civil e também a falta de ética, de preparo e de honestidade da policial que poderia ter apresentado a prova ilícita espontaneamente antes da iminente revista.

Outro vídeo circulado nos últimos dias tem a deputada Jaqueline Roriz ao lado do marido recebendo verba ilegal, 50 mil reais, para a sua campanha. Como manobra orientada por seu partido, por seus assessores e pela experiente família em assuntos semelhantes, a parlamentar se afastou da comissão especial da Câmara que discutirá a reforma política. Encerrou a sua nota de afastamento com as seguintes palavras: “Continuarei contribuindo com propostas que façam com que o país encontre mecanismos eleitorais ainda mais democráticos, que ajudem a minimizar as injustiças sociais do nosso Brasil”.

“Que ajudem a minimizar as injustiças sociais do nosso Brasil”! Um escândalo como esse de corrupção, comprovado e filmado, com uma nota de afastamento tremendamente cínica é o mesmo que arrancar à força as calças de toda uma sociedade que espera probidade de seus representantes.

Todo recurso no Brasil que é desviado dos cofres públicos diariamente para o benefício pessoal e em prejuízo do bem público coloca o país a uma distância enorme dos países que estão no topo em relação a qualidade de vida. Nestes países, os índices de corrupção também são baixíssimos.

 

Não é uma ousadia arriscar que o montante de dinheiro que sangra no país devido à corrupção seria, por exemplo, extremamente relevante para melhorar a infra-estrutura da sua maior cidade, São Paulo, que sofre com os problemas que decorrem das cotidianas enchentes.

 

A corrupção nas instituições públicas do Brasil é o fator que mais impede o desenvolvimento e a justiça social no país ao lado do desinteresse do governo em resolver de fato o problema da distribuição de renda e de propriedade.

 

 

 

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Escrito por farelomartinez às 22h46
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Casos de corrupção

“Não há mais medo, o corrupto hoje em dia anda com testa alta, olhado com inveja” – Arnaldo Jabor

 

 

Caso 1: Eu já subornei um policial rodoviário.

 

Fazia uma viagem de São Paulo para Trindade, no sul do Rio de Janeiro. Minha namorada portava maconha em sua bolsa.

 

Quando adentramos o Estado fluminense pela Rio-Santos fomos parados por um policial que tinha sua viatura no acostamento. Ele anunciou que a policia rodoviária federal fazia uma varredura em busca de drogas e armas.

 

Meu carro era uma Paraty e a prancha de surfe estava amarrada em seu teto. Nossas bagagens no porta-malas.

 

O policial começou pela parte interna do veículo, ou seja, pelos nossos bancos, porta-luvas e console. Alcançou a bolsa de minha garota e quando tirou de dentro dela uma latinha azul com a imagem de Nossa Senhora, eu imaginei “agora ferrou”. O astuto sabia que havia farejado algo ilícito.

 

Bingo! Uma ponta de baseado. Eu fiquei gelado e ela boquiaberta.

 

“O que é isso?” esbravejou a autoridade. Não sei, eu respondi. “Isso é maconha!” ele completou.

 

“Isso é tráfico de drogas!”, ele nos apavorou.

 

Ao guarda ela foi com aquela desculpa esfarrapada de que a bolsa era de uma amiga. Ele me conduziu à sua viatura e pediu que a garota tomasse o volante de meu carro para que fôssemos à delegacia.

 

Porém, ainda parados no acostamento, ele começou com um sermão que me direcionava a suborná-lo. Eu me fiz de bobo, disse que não sabia que aquilo era maconha e ainda que aquela garota era uma aventura recentíssima e desconhecida portanto.

 

“Se formos adiante o delegado vai prendê-los por tráfico”. O que era um absurdo, aquilo não pesava nada, era metade do meu polegar.

 

Meio intimidado e amedrontado, não queria ser fichado e nem que ela fosse, eu ofereci “a gente pode acertar isso por aqui?”.

 

O policial foi direto “quanto você tem?”. Eu dei 80 reais a ele (isso foi em 2000), a grana que salvaria nossa hospedagem.

 

Fomos liberados e eu fiquei bem bravo com minha namorada porque o vício era dela e dar dinheiro a um policial me enojava.

 

Chamou-me atenção a abordagem policial na época. O agente disse que a ação visava encontrar drogas e armas. Ele sequer abriu o porta-malas para buscar maiores provas (mais drogas e armas) – ele suspendeu a revista assim que encontrou qualquer coisa suficiente para nos extorquir. Fiquei sabendo depois que outros surfistas foram extorquidos no mesmo ponto da rodovia. Parece-me que o policial era habituado a forçar situações para receber propinas.

 

 

Caso 2: Eu comprei em parte a minha carteira de motorista.

 

No começo do ano fui a uma auto-escola na Lapa para renovar minha habilitação. À recepcionista disse que havia sido indicado por um policial amigo do delegado Dr. Fulano.

 

O delegado era um dos proprietários da auto-escola pelo que me foi dito. Não posso afirmar que o seu sócio era apenas o laranja.

 

Paguei 50 reais para ficar de frente ao computador fingindo mexer no mouse. Na verdade, a recepcionista, da sua mesa, operava o mouse e respondia todas as questões por mim.

 

Eu precisava da carteira com urgência e portanto aceitei a indicação de um amigo sobre a facilidade.

 

 

Caso 3: Delegados corruptos (fonte Folha.com – 22/11/2010).

 

A promotoria denunciou 22 sob acusação de fraudes no Detran de São Paulo. Destes, 9 são delegados da Polícia Civil. Os outros 13 ligados a empresas de emplacamento.

 

O rombo aos cofres públicos nos últimos anos pode chegar aos 30 milhões de reais por causa dos contratos fraudolentos com empresas responsáveis por emplacamentos.

 

“A investigação apontou que, somente em julho, agosto e setembro de 2009, a Cordeiro Lopes, empresas que fazia o serviço de emplacamento em todos os municípios de São Paulo (menos na capital), cobrou R$ 16.338.744,39 por serviços prestados, mas, na verdade, o Estado deveria ter pago R$ 6.565.912,46 --diferença de R$ 9.772.831,93”.

 

 

 

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Escrito por farelomartinez às 03h11
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Porque votaria nulo

 

O título da presente postagem evidencia qual seria minha escolha caso estivesse no Brasil durante o segundo turno. Então, dessa maneira, respondo a questão da prezada leitora Lúcia Morato feita na última postagem.

 

Muito coerente foi o candidato Plínio ao anular o seu voto e muito fraca foi Marina (e seu PV) ao manifestar neutralidade e deixar o seu eleitorado orfão.

 

Sobre a vitória de Dilma, acho perigosa a tamanha festança da militância petista que em sua comemoração não se diferencia da fanática torcida de um time de futebol.

 

Não confio que um presidente, uma pessoa, seja responsável pelo melhoramento de uma nação e analiso que isso tenha algo a ver com a nossa orientação religiosa cristã, no tocante à idéia de que um salvador surgirá para nos conduzir ao paraíso.

 

A mudança de uma nação é estrutural mas está sob o aspecto político-partidário, refiro-me portanto à mudança individual. E a idéia, ou vício, de transferir ao próximo por meio do voto essa responsabilidade parece-me uma mera solução prática. Por isso também nas últimas postagens defendi a idéia da profissionalização da política e da obrigatoriedade de qualificação para o preenchimento dos cargos. Se não confio num médico que não tenha o diploma de medicina e que não tenha CRM, e que nenhum advogado pode advogar se não pertencer à OAB, não confio em quem queira ser político e não queira estudar política e os problemas da sociedade. O meu repúdio é contra todos os tiriricas que vêm nos representando.

 

Nessa eleição eu votaria nulo para presidente no segundo turno. Confesso que já votei em PT e em PSDB em outras. Mas as suas inércias e ausências de programas eficazes para o efetivo combate da corrupção e a pronta distribuição de renda e de propriedade colocam os partidos (e seus aliados) no mesmo saco.

 

São assuntos extremamente relacionados, corrupção e pobreza/má distribuição de renda. A Nova Zelândia, por exemplo, é o pais com menor índice de corrupção do mundo e está em terceiro lugar em relação a países com altíssimos índices de Desenvolvimento Humano (o que considera análises sobre saúde, educação e renda). O Brasil está em 69º em relação ao índice de menor corrupção e 73º no IDH. Congo ocupa o 164º lugar em corrupção e 168º em IDH (fontes: ONG Transparência Internacional e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – site Folha de São Paulo).

 

Na próxima postagem abordarei o tema corrupção.

 

 

Muito obrigado às amigas e aos amigos leitores pelos acessos, críticas e comentários! Seus acessos motivam a existência deste blog.

 

 

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Escrito por farelomartinez às 20h46
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Democracia sem eleição - parte 2

 

(Em resposta ao comentário de Marcello Hartuing na postagem anterior Democracia sem eleição)

 

 

 

Olá, Marcello, inicialmente muito obrigado por acessar o blog e registrar a sua opinião. O blog foi criado em 2007 tendo como um dos principais objetivos provocar o debate. Fico intrigado e satisfeito quando o leitor lança um desafio.

 

Cabe a mim, com respeito, fazer ponderações sobre suas palavras. Quando você disse que o voto facultativo “representa a exclusão da grande massa de pobres do processo eleitoral” eu posso concluir pelas suas palavras que essa grande massa de pobres de fato não está interessada em política. Ora, se estivesse interessada não haveria necessidade da obrigatoriedade. Toda essa grande massa compareceria espontaneamente para votar.

 

O índice de abstenção no primeiro turno foi de 18,12%, ou seja, mais de 24,5 milhões de eleitores não compareceram às urnas. Foi o maior índice desde 1998. Uma prova de que esse desinteresse pelas eleições aumentou.

 

E os números teriam sido maiores se não fosse a manobra feita pelo governo na véspera do primeiro turno quando desobrigou o uso do título de eleitor, praticamente matando a função deste documento. O fato é que o governo petista assustou-se com a enormidade de eleitores, em especial vindos da grande massa de pobres, que perderam seus títulos e que não os recuperaram a tempo. O governo temeu que Dilma seria muito mais prejudicada do que Serra se parte considerável dessa massa fosse proibida de votar sem o título de eleitor.

 

Eu tomo cuidado com as generalizações, portanto não disse conforme suas palavras que “o povo brasileiro é preguiçoso para o estudo e sacia-se com TV”. Mas eu disse “o povo brasileiro em sua maioria é preguiçoso para o estudo e se sacia culturalmente, em especial, pelos enlatados televisivos”. Não hesito em reafirmar isso após a sua advertência. O brasileiro em geral lê pouco e em consequência escreve mal. Vá a uma biblioteca pública, que não seja dentro de uma universidade, você nunca enfrentará uma longa fila. Observe os índices de reprovação da OAB para constatar que até os mais “letrados” passam por um sistema superior de ensino bastante deficiente. Sobre os enlatados televisivos, comparemos os indíces de audiência de programas da linha de Big Brother com programas ditos mais cultos de televisões estatais, como a TV Cultura de São Paulo por exemplo.

 

Para mim, é uma tremenda vergonha ter um deputado como o Tiririca me representando no Congresso e mesmo que sua vitória seja legítima, isso demonstra que esse eleitorado se informou muito pouco sobre as outras opções, preferindo o protesto rápido, prático e sem substância por meio do deboche. Esse eleitorado foi na verdade cativado por uma estratégia marqueteira. Se não fosse o Tiririca, acredito que escolheriam outro parecido para o topo da lista, como o que aconteceu com o finado Enéas.

 

Não me orgulho por ver esse cidadão assumidamente despreparado ser sustentado pelo nosso dinheiro sem saber o que fazer com o seu cargo e rindo da sua cara e da minha também. Não agito a bandeira “Viva a democracia a qualquer preço”.

 

Eu defendo que um cidadão para exercer cargo político tenha que ser preparado, especializado em política, sociologia e direito ao menos e que a sua ficha seja limpa.

 

Também não defini a grande massa como “iletrada” conforme suas palavras e não disse que quem é da classe média vota melhor que o pobre. O povo brasileiro provou que em sua maioria vota mal ao levar para o segundo turno os candidatos que levou, Dilma e Serra, com propostas bastante semelhantes e despreocupadas com o gritante problema da distribuição de renda.

 

Encerro essa postagem agradecendo aos caros leitores pelos acessos, críticas e comentários, garantindo-lhes espaço sem censura no blog Sociologia Independente.

 

 

Abraços,

 

 

Fábio Morato

 

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Escrito por farelomartinez às 18h13
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Democracia sem eleição

 

A liberdade é uma farsa quando se é obrigado a fazer algo. Eu acredito que o voto não deveria ser compulsório para o cidadão brasileiro, ou melhor, começo a imaginar que não deveriam existir eleições no Brasil.

 

Muito menos sou favorável ao retorno de um Estado Ditador. Primeiro pelas duras restrições à liberdade dos civis e segundo pela experiência em nosso país que serviu para pilhar as riquezas comuns, como propriedade e benefícios previdênciários (por exemplo), em prol de elites militares.

 

Se formamos uma nação muito mal educada isso se deve a uma cultura imposta de cima para baixo pelos governos militares interessados em manter um povo inculto e facilmente controlado.

 

E essa é uma política herdada pelo nosso regime democrático infelizmente.

 

A democracia brasileira tem mostrado desde sua reabertura em 1985 uma sucessão de maioria despreparada para os cargos eletivos sempre vigiada e realimentada pelos ideais excludentes das elites mais beneficiadas do regime militar.

 

O povo brasileiro em sua maioria é preguiçoso para o estudo e se sacia culturalmente, em especial, pelos enlatados televisivos. Isso não é novidade, assim como não é que o brasileiro pouco consome livro e que mesmo entre aqueles que estão na menor parte que conclui o ensino superior, muitos deles continuam analfabetos funcionais, ou seja, mal interpretam as informações colhidas.

 

O que isso implica é que, pelo fato da maior parte da população ser mal instruída, a tendência de ter representantes pertencentes a esta porção é obviamente maior. Além disso, a consciência crítica para a escolha dos representantes é deficiente e recheada de preconceitos.

 

O humorista Tiririca, candidato a deputado federal nas presentes eleições é um emblema para a extrema achincalhação do exercício do voto. Hoje as pesquisas o apontam como o preferido pelos eleitores, mesmo ele ironizando que não sabe o que faz um deputado federal (e realmente não sabe).

 

Votar em Tiririca, em qualquer mulher fruta ou no filho de uma celebridade para protestar e demonstrar indignação com a política brasileira é o mesmo que dar um tiro no próprio pé, é mostrar-se imaturo e ignorante, é o mesmo que reeleger Paulo Maluf depois de ter aprendido o quanto o rouba mas faz é um atestado de burrice.

 

Mas o que esperar de um povo que coloca Dilma e Serra disparados nas intenções de votos mesmo sabendo das trocas de acusações que sempre apontam suas pessoas e partidos envolvidos em esquemas de corrupção e com o crime organizado?

 

Se política é no Brasil sinônimo de corrupção, a prática é presente cotidianamente em todos os níveis de nossa sociedade. Apenas como exemplo, acabo de ler no site da Folha que o valor de suspeita de fraude em seguro sobe pelo quarto ano seguido. Ora, quem frauda seguradora é a própria sociedade civil.

 

Portanto, mesmo que pareça utópico, gostaria de pensar num país democrático em que não existissem políticos eleitos. Mas sim que fossem cidadãos concursados especializados ao menos em ciência política, em sociologia e em direito com contratos temporários e sujeitos a rigorosas fiscalizações. Por enquanto o povo brasileiro não tem preparo e nem condição para escolher representantes de alto nível.

 

Tiriricas só fazem sucesso com quem tem titica na cabeça. Pena que são muitos.

 

 

 

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Escrito por farelomartinez às 18h59
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Valadão e Violeta na pia

Sim, meu amor, estou saindo da obra e em 10 minutos chego em casa. Ei, eu vou acabar com você. Coloque  uma roupinha especial.

 

Violeta se arrepia, suspira e um súbito mal-estar a acerta. Uau, você me deixou toda arrepiada! Coloca o celular sobre a mesa e volta-se ao fogão para uma pequena mexida com a colher-de-pau no arroz. Prova o arroz, no ponto, lambe a colher e aperta o seu cabo pelo reflexo involuntário de seu desejo animal. Corre até o quarto, tira o sutiã por debaixo da justa camiseta branca que frisa suas curvas. Olha para as pernas e se livra do jeans para vestir da gaveta apenas uma pequena calcinha azul.

 

A porta é aberta sem alarde. Valadão, empurrando sua bicicleta, percebera o som alto vindo da sala quando tocava a maçaneta. Tira a camisa, larga a bike na sacada do apartamento e ruma para a cozinha.

 

Nada fala, em poucos passos flutuantes encosta no corpo de Violeta e beija sua nuca. Ela desaba, assim como a sua faca que cortava legumes. Suas costas são pressionadas pelo peito de seu macho que desliza suas mãos por dentro da camiseta até gentilmente apanhar os belos seios.

 

Ela se vira ao tempo de encontrar os lábios do homem que a beija como se dependesse daquela saliva para não morrer.

 

Ai, você me deixa louca. Valadão ergue a sua mulher e a senta sobre a pia. Os cabelos de Violeta são bagunçados pela camiseta arrancada. Suas mãos correm pelas costas dele.

 

Is this love do Whitesnake se espalha pela casa. Cada acorde, cada solo norteia a língua de Valadão sobre o corpo entregue de Violeta.

 

Mais um longo beijo e o vapor do arroz suando as paredes brancas da cozinha. Lábios, orelhas, pescoço, ombros, seios, barriga, coxas. As pernas se espalhando pela pia.  

 

Dedos indo e voltando, Eu estou fervendo, vem, me pega, me invade. Violeta se derrete na boca de seu homem. Não, hoje eu só vou te beber.

 

Valadão estica o braço e abre a torneira, com uma das mãos lança porções de água no colo da fêmea, que escorre pela barriga até encontrar a sede dele em sua virilha.

 

E mais água vem da torneira, e as mãos dele correm, ora suavemente ora bruscamente, pelo corpo de sua musa.

 

Violeta treme sobre a pia, suas mãos querem esmagar a cabeça de Valadão. Seus músculos enrijecem, seus olhos se espremem, o grito vem, nenhum oxigênio é suficiente no momento em que impera a alienação total do mundo.

 

Sua língua percorre Violeta do sul ao norte até mais um doce beijo e um forte abraço entre os corpos molhados.

 

Eu te amo, meu homem. Valadão morde cuidadosamente a orelha de Violeta.

 

 

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Escrito por farelomartinez às 10h09
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A farsa de Muricy (Tia Emilia e os cachorros)

 

Farelo está no quintal dos fundos com doze gatos. A ração foi devorada e os felinos se reunem para ouvir suas reflexões.

 

A ração mais sua saliva e partículas do jornal que lhe serve de prato ainda causam um efeito alucinógeno.

 

Nenhum miado, todos atentos ao pronunciamento do cachorro que observara a sessão de esportes:

 

 

Mais um ano de Brasileirão de pontos corridos e Muricy vai levar o Fluminense ao título, não tenho dúvidas. Ele é o melhor treinador do Brasil e penso que assim será coroado novamente  na próxima festa da CBF.

 

Mas o episódio do seu convite para comandar a seleção brasileira não sai da minha cabeça.

 

Foi uma coisa absurdamente mentirosa o que fizeram com ele. O feio é que ninguém suspeitou que o circo já estava armado por Ricardo Teixeira e que ele sabia previamente que não haveria liberação por parte do Fluminense. Mano Menezes era o escolhido há algum tempo, provavelmente foi confirmado nos bastidores durante a Copa da África com a influência do chefe da delegação Andrés Sanchez que, antes do convite ao Muricy pela CBF, já havia contatado aquele que viria a ser o novo técnico do Corinthians Adilson Batista.

 

Ter chamado a Rede Globo para formalizar o convite a Muricy foi uma das coisas mais rídiculas dessa encenação. Nunca se formalizou um convite com a pompa da imprensa antes. Convites dessa magnitude só aparecem como furo de reportagem. Geralmente a imprensa é chamada para anunciar a efetivada contratação. Muricy pareceu um menino bobo indo animado para casa, mas já com um certo receio, para pedir ao papai se podia ir ao parquinho com a família de seu amiguinho.

 

Então Mano Menezes foi convidado como segunda opção, como uma carta na manga para uma possível negativa de Muricy Ramalho. E isso ocorreu instantaneamente após a desistência de Muricy!

 

A CBF se precaveu registrando que fez o que podia, que ofereceu o cargo ao melhor treinador. Muricy é famoso por ser arredio e nunca seria um pau-mandado do Ricardo Teixeira.

 

Seu convite foi uma farsa.

 

O que concluo com esse relato, meus caros felinos:

 

Primeiro, Ricardo Teixeira tirou totalmente a bunda da seringa pela participação vergonhosa da seleção brasileira na Copa da África, transferindo toda a culpa ao fraco e desprestigiado Dunga – sabendo que nenhum segmento da imprensa compraria a sua defesa. A CBF deveria agora portanto ceder ao clamor público e convidar  o melhor de todos nos últimos anos, Muricy.

 

E segundo, o povo brasileiro em geral é inocente e pouco suspeita sobre a forma como a imprensa conduz os fatos de acordo, muitas vezes, com os seus interesses. Também se contenta com o que tem e nunca percebe que as coisas poderiam ser melhores e diferentes se coordenadas por gestores honestos e com boa-fé. No Brasil tem-se propagado o terrível slogan “agora não é hora de ficarmos culpando”, coisa que reflete a nossa deficiência para promover a justiça em todos os âmbitos.

 

 

Passadas as palavras, Farelo toma um gole de água da sua tigela e corre seus olhos por todos os gatos que logo entrarão em debate.

 

 

 

5910

 

 

 



Escrito por farelomartinez às 12h27
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Amor: substantivo feminino

 

Não é necessariamente preciso ser amargo para protestar contra o nosso triste quadro de injustiças sociais marcado pela péssima distribuição de renda e de oportunidades.

 

O trabalho nessa direção é fundamental, apenas através da prática solidária a mudança benéfica acontecerá. A caridade tem o poder de atender paliativamente a demanda de uma parte desfavorecida porém deixa um rastro de esperança que poderá nortear o caminho desses menos amparados.

 

Quanto ódio já me angustiou e eu o expressei diversas vezes por escrito. Bem por isso interrompi minhas reflexões e críticas, larguei o blog por meses, e voltei-me a fazer declarações de amor a minha namorada neozelandesa Laureen.

 

Eu gosto de saber que as mulheres estão assumindo mais e mais posições de comando. Mulheres são mais sensíveis e solidárias que os homens em geral e fujo de explicações meramente sociológicas para associar esse progresso ao lado biológico e pensar que o instinto de preservação é feminino e ligado à vocação direta de ser mãe com o seu poder gerador.

 

Enquanto a mulher preserva, o lado masculino pensa em proteger por meio da virilidade e da força. A porção feminina tem a ver com a preservação e a prevenção, a masculina com a remediação. O despertar de uma conscientização ecológica tem a ver com a modernidade, com o avanço da inteligência humana e especialmente com a emancipação da mulher.

 

O mal do ser masculino é frear seus impulsos femininos. O homem aceitar a feminização de seus atos não implica em transparecer afeminado e tampouco se encerra em prática homossexual. Implica em ser mais generoso, benevolente e acessível às transformações. Muitas violências praticadas por homens têm a ver com a dificuldade de entender suas próprias sensibilidades, especialmente, a meu ver, aquelas feitas contra as mulheres. São tentativas de sufocar comportamentos mansos e dóceis através de gestos agressivos e truculentos num mundo machista que recrimina o homem delicado. Uma boa chave é entender a dicotomia competição e solidariedade e permitir a harmonia entre esses pólos.

 

Grupos que praticam ações solidárias são formados essencialmente por mulheres e não temo em afirmar isso sem dados estatísticos para confirmar.

 

Poderíamos concluir que normalmente mulheres se envolvem em ações solidárias e voluntárias enquanto seus parceiros se dedicam aos trabalhos remunerados e sustentam as famílias. Mas não é só isso. Mulheres se desdobram, realizam funções domésticas, cuidam dos filhos, ocupam mais cadeiras nas universidades e disputam crescentemente espaços no mercado de trabalho.

 

Mulheres governam países (e o Brasil, país mais emergente do hemisfério sul, ainda será presidido por uma), mulheres comandam grandes organizações, mulheres chefiam famílias, mulheres lideram times de futebol.

 

Sou otimista em relação a um mundo mais justo e pacífico quando percebo essa força e ascensão das mulheres. Conforme reflexão de Mikhail Gorbachev no filme Tão longe, tão perto de Wim Wenders (1993), a paz (ou unidade) jamais poderá ser construída pela guerra e pela força mas somente pelo amor. E para mim, amor é substantivo feminino.

 

 

 

5862



Escrito por farelomartinez às 10h51
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Até quando fechar os olhos

Amigas e amigos, caros leitores,

Há bom tempo não atualizo o blog. Este foi o maior break desde março de 2007 quando a página foi criada. Muitas publicações foram me azedando - como ser crítico sem ser chato? Porém agora acostumado com o gosto cítrico e acreditando que essa página provocou diversas vezes a curiosidade de tantos amigos, volto a publicar. Desta vez, porém, retomo não com minhas próprias palavras.

Cedo o espaço para um apelo de minha irmã Marília que está preocupada tentando ajudar uma garota moradora de rua com suas duas pequenas crianças.

Seu e-mail segue no final da mensagem.

Abraços,

Fábio Morato

 

 

 

Olá Amigos!!

 

O caso que vou narrar é diferente, mas peço sua ajuda mesmo assim, por favor.

Sobre uma Moça de aproximadamente 17 anos que tem 2 filhinhos, um de aproximadamente 1 ano e outra(menina) de 3 anos.

Seu nome é Karina, é moradora de rua e morava com a Mãe e suas crianças. Elas se desentenderam e a Mãe a abandonou com as crianças.

Ela montou um Barraco com a área de uma cama de solteiro, numa “ilha” da Marginal Tietê entre as Pontes do Piqueri e do Anhanguera.

Hoje a vi indo ao Barraco com o Bebê menor no Colo e a Menininha de 3 anos sendo puxada pela mão e atravessando um trecho da Marginal com as Crianças.

Absurdamente Perigoso.

Fiquei preocupada e fui falar com ela(eu voltava do trabalho neste momento). Ela estava dividindo entre ela e seus filhos duas pequenas embalagens de alumínio com Arroz e Feijão. Usava a tampa dobrada como colher.

Levei comida para ela hoje, mas não tenho condições de fazer mais do que isto.

ENTÃO PEÇO SUA AJUDA !!

 

Além de tudo, nas Marginais passam todos os tipos de pessoas.

Temo por ela, seu bem estar físico e das crianças !!

Peço a Deus pela sua ajuda !!

 

Ela não tem como se mobilizar para cuidar das crianças, conseguir alguma forma de sobrevivência.

 

É demais para um pessoa tão jovem !!

É demais para uma pessoa tão jovem que more na rua e esteja abandonada !!

 

Não penso que ela tenha “maturidade” para cuidar de uma casa sozinha, visto que morou a maior parte da vida na rua.

Peço a ajuda dos meus Amigos, caso saibam de alguém "legal" que precise de alguém trabalhando como Caseira e que tenha uma Família Boa !!

Esta Moça precisa de teto, mas principalmnte de proteção e orientação.

 

Ela se mostrou muito agradecida pela atenção, quer sair desta vida e parece assustada com a situação.

 

Por favor Galera, pensem em Pessoas Legais/Alternativas e entrem em contato comigo!!

 

Agradeço desde já !!

 

Um Abraço !!

 

Marília  (marilia_morato@yahoo.com.br)

5832



Escrito por farelomartinez às 22h46
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Labourer (number 4)

Dry mouth, dirty t-shirt

Scaffolding,

Broom, shovel, bucket,

rubbish,

the dust I breath won’t kill me

 

I will die today

For another reason,

for you

 

Your back will be bent,

female,

on my arms

 

Your feverish body,

My lips,

your armpit

 

Prey,

you are my prey

and I tear your privacy up

as a cardboard

 

Rude beard,

I growl,

you sigh,

I stick,

you scratch

 

The mattress grinds,

the sheet sweats,

the ceiling turns,

the eyes close,

the scream,

the end

 

There will be more cement tomorrow,

There will be your back

 

I mix,

hit,

load,

push,

invade,

live,

die

 



Escrito por farelomartinez às 23h21
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Trace of hope

Laureen my sweet mystery

A graceful flower still opening

Delicate, shiny, colourful, delightful

Oh darling, your perfume

Neck, lips and ears

Your steps beside me

Your voice by the phone

 

I am not the same anymore

Admiring the full moon as a wolf does

Could never imagine my heart’s beating

This way so loud and freak

Let me afraid it can explode anytime

 

Close my eyes to see you

Hold my pillow to hug you

Say your name as a prayer

There is no darkness since I’ve met you

 

Your smile means to me

A pure trace of hope

 

5569



Escrito por farelomartinez às 17h14
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